Laboratórios unem esforços para buscar reequilíbrio financeiro

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Laboratórios unem esforços para buscar reequilíbrio financeiro

Defasagem de 26 anos na tabela de procedimentos e insumos para exames laboratoriais e aumento na demanda por testes pelo SUS motivam articulação entre clínicas do município

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Laboratórios unem esforços para buscar reequilíbrio financeiro
Dificuldades para atendimento a pacientes da rede pública desafiam clínicas. Crédito: Divulgação
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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Uma mobilização inédita no estado aproxima três laboratórios de Estrela  para viabilizar os exames à população. O desafio é adequar as finanças para o atendimento aos pacientes do SUS. Para isso, os gestores buscam alternativas para reduzir prejuízos.

A chamada tabela SUS, que tem mais de 3 mil itens e define os valores de custeio para as despesas dos procedimentos médicos e laboratoriais, não recebe atualizações desde 1996. O assunto está em pauta na Câmara dos Deputados há pelo menos oito anos, sem que haja avanços.

A limitação diante da falta de aumentos desafia as clínicas. Administrador do Laboratório Irion, Dimitri Irion pontua que a necessidade existe em nível nacional, diante dos reajustes em insumos e reativos utilizados para os exames serem proporcionais à inflação. “Após a pandemia essa questão ficou ainda mais emergente, pois a matéria-prima utilizada em reagentes laboratoriais é importada e cada vez que o dólar dispara, este material encarece na mesma sincronia”, explica.

O proprietário do Laboratório Estrela, Alexandre Rücker, critica a inércia do governo federal para resolver a situação. “O governo federal tem jogado isso para os municípios desde 1996, mais ainda após a municipalização da saúde”

Quem articulou o movimento foi a proprietária do Laboratório Biosofia, Raquel Birck. Ela faz parte da Organização Feminina de Análises Clínicas do Brasil (Ofac Brasil), que prestou orientação jurídica a partir da pandemia, mas as instituições da cidade mantêm conversas sobre o assunto desde 2017.
De acordo com a gestora, o município se mantém aberto ao diálogo, em busca de alternativas no aspecto financeiro. “Queremos manter uma relação tranquila e harmônica, e lutar por uma situações justa nos exames do SUS”, acrescenta.

Cotas insuficientes

Rücker também lembra que os pedidos ao município já ocorreram em outras oportunidades. Uma das propostas é o aumento das cotas repassadas pelo governo para as instituições. Desta vez, o assunto foi levado aos vereadores, que repercutiram a pauta no plenário nas últimas sessões.
Acúmulo de exames

A maior preocupação é manter os serviços sem atrasos aos pacientes. Mesmo assim, existe uma demora para que a população consiga um exame laboratorial pelo SUS. “No momento que a cota termina, não temos mais como fazer os exames sem receber nada. Aí marcamos os exames para o mês seguinte, o que gera um acúmulo”, comenta Rücker.

O valor citado pelo gestor é de R$ 10 mil para cada laboratório, considerado insuficiente diante da demanda. “Se a administração aumentar para R$ 12 mil ou R$ 15 mil, poderemos ampliar a oferta.”

Conta não fecha

A proposta de atendimentos equipara pacientes das redes pública e privada. No entanto, a contrapartida que chega aos laboratórios pelo SUS prejudica as finanças. “Trabalhar por esse valor está bem complicado. Atendemos a todos da mesma maneira, com os mesmos aparelhos, os mesmos reativos, não existe distinção”, afirma Rücker.

Na avaliação dele, um eventual reajuste seria apenas para manter as atividades normais. “Hoje não temos praticamente nenhum lucro e alguns exames tem prejuízo. O aumento na tabela seria para conseguirmos trabalhar de maneira justa e digna”, finaliza.

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