“Ser tradicionalista não pode ser apenas viver do passado”

Abre Aspas

“Ser tradicionalista não pode ser apenas viver do passado”

Da dança à declamação, Claudete Rempel, 48, concilia a rotina acadêmica com as atividades junto ao CTG Querência do Arroio do Meio. Graças ao incentivo das filhas, Amália e Alice, retomou os trabalhos após alguns anos afastada, e hoje ela é coordenadora artística no CTG e também diretora cultural da 24ª Região Tradicionalista.

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“Ser tradicionalista não pode ser apenas viver do passado”
Crédito: Arquivo Pessoal
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Como iniciou a sua vivência com as manifestações artísticas tradicionais?

Com 13 anos, fui convidada para ingressar no CTG Tropilha Farrapa e logo em seguida, participei da minha primeira Ciranda Cultural de Prendas e conquistei o primeiro título, a faixa de 2ª Prenda Juvenil.

Depois disso, dancei na invernada juvenil, na invernada adulta, fui instrutora do grupo mirim, tudo no Tropilha. Também fui instrutora em Marques de Souza, Pouso Novo e Arroio do Meio.

Até que ponto acredita que as atividades em CTGs sejam um estilo de vida?

Para mim, além da dança, o CTG é um espaço de convívio social, como várias outras sociedades. A diferença é que pais e filhos participam juntos, há espaço para dançar, cantar, tocar, declamar, assistir, comer, laçar.

Enfim, diversas modalidades de esportes, cultura e outros entretenimentos. Não consigo imaginar minha vida sem o CTG. Com certeza aprendi muito e muitas habilidades que hoje tenho foram aprimoradas ou desenvolvidas lá e são determinantes na minha vida profissional, como organização, criatividade, liderança, respeito.

Quais os maiores desafios à frente da coordenação de eventos como um rodeio artístico?

Para organização do rodeio, o essencial é estar muito organizada, conhecer as regras, tanto do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), quanto da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), e fazer tudo certo.

O resultado de um trabalho sério e que visa agregar a todos, só pode ser um sucesso. A equipe do CTG é fantástica, desde o ecônomo, que é a pessoa que abre a porta, até ao avaliador, todos estavam imbuídos em bem receber e dar o seu melhor.

Sobre a declamação. Onde buscar inspiração para trazer versos no formato e interpretação como a modalidade exige?

Já fui declamadora e declamei em final de Enart (Encontro de Artes e Tradição Gaúcha). Ganhei vários rodeios regionais e estaduais. Hoje estou afastada dessa modalidade – não por não gostar, mas por falta de tempo mesmo.

A declamação gaúcha é um teatro feito apenas com a interpretação de uma pessoa. Ou seja, o declamador precisa dar sentido, vida, voz ao que o poeta registrou no papel. Isso é uma arte!

Como você vê o processo de renovação da cultura gaúcha, diante das mudanças no mundo?

Como disse José Machado Leal: “cultuar a tradição não é voltar ao passado, não é retrocesso a formas caducas e superadas, pois tradição é correnteza, é continuidade histórica, é entrelaçamento de gerações, é tudo que do passado não morreu”.

Portanto, ser tradicionalista não pode ser apenas viver do passado. A gente precisa saber de onde veio para saber onde vai e onde quer chegar. Por isso a tradição se renova, precisa se reinventar em tempos virtuais. Precisa ser atualizada e acredito que muitas entidades já compreenderam isso.

 


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