A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) liberou, na noite de quinta-feira, 3, o tráfego de veículos leves na ponte sobre o Rio Guaporé, que liga Encantado a Muçum. A passagem se torna possível após o resultado positivo no teste de escoramento realizado pela engenharia responsável pela obra. Conforme orientação da EGR, o trânsito funciona em pista única, no sistema pare e siga, e deve seguir assim até a conclusão definitiva dos reparos na estrutura. A empresa reforça a necessidade de atenção e respeito à sinalização no local.
A liberação foi possível depois da transferência da carga que era sustentada pelo pilar danificado para apoios metálicos instalados nas últimas semanas. O procedimento utilizou macacos hidráulicos para deslocar o peso da estrutura. Na sequência, a equipe de engenharia acompanhou o comportamento das escoras para verificar se o conjunto reunia condições de receber o tráfego novamente.
A ponte estava fechada para veículos desde 24 de julho, quando uma vistoria identificou danos em um dos pilares. À época, como as duas faixas se apoiam sobre a mesma estrutura, a EGR descartou a liberação de meia pista ou a adoção do sistema pare e siga, já que não havia garantia de que o pilar comprometido suportaria o fluxo de veículos. Foi somente após a conclusão do escoramento que essa condição estrutural mudou e permitiu a liberação parcial.
Pedestres podem atravessar a ponte nos locais indicados, de forma independente do fluxo controlado pelo pare e siga. Já o tráfego de cargas permanece suspenso e só deve ser retomado após a reconstrução definitiva do pilar danificado.

Liberação da ponte para veículos pesados ocorrerá somente após a reconstrução definitiva do pilar danificado
Sem risco de queda
Em entrevista o diretor-presidente da EGR, Luís Fernando Vanacôr, afirmou que a ponte não corre mais risco de queda. “As escoras permitem não só suportar o peso próprio da estrutura, como também dar segurança para liberar pedestres e veículos leves”, disse. Segundo ele, os veículos leves representam quase 80% do fluxo que passa pela ERS-129 nesse trecho — o que justificou a liberação controlada, em fluxo alternado e veículo por vez, para não sobrecarregar o vão apoiado sobre as escoras.
Segundo Vanacôr, o prazo para concluir o escoramento era de 30 dias a partir da assinatura do contrato, em 12 de agosto, com previsão inicial para 12 de setembro. A equipe conseguiu antecipar a entrega em oito dias. Ele destacou que, durante esse período, a ponte esteve sob risco: uma nova elevação do rio poderia agravar os danos ao pilar e derrubar os dois vãos apoiados sobre ele. Conforme o diretor, a inspeção completa da ponte não identificou danos nos demais pilares. A EGR avalia, para o futuro, reforçar também os demais pilares diante da severidade das cheias no rio.
Quem sente a diferença

A estudante Manuela Vidal de Souza é uma das usuárias cuja rotina muda drasticamente com o retorno da passagem pelo Rio Guaporé
Moradores da região comemoram a liberação parcial. É o caso da estudante Manuela Vidal de Souza, 20, que cursa medicina veterinária na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e mora em Encantado. Ela viaja toda semana até Caxias do Sul para estudar e usava a ponte com frequência antes da interdição. “É muito melhor ter a ponte, porque é um percurso menor entre Caxias do Sul, Muçum e Encantado. Acaba diminuindo bastante o trajeto, é mais rápido e tranquilo”, afirma Manuela.
Com a ponte interditada, a estudante precisou recorrer a desvios mais longos. “Antes eu tinha que dar a volta por Lajeado ou ir por Colinas, mas também estava interditado. Então era bem complicado”, relata. Manuela também chegou a usar o desvio pela ponte de Roca Sales, outra alternativa adotada por motoristas da região durante o período de bloqueio. “Está bom o percurso, mas é claro que voltar a ir por Muçum acaba sendo bem melhor”, compara.
