Convênio na Saúde promete terminar com calvário para pacientes

SAÚDE

Convênio na Saúde promete terminar com calvário para pacientes

Dois hospitais do Vale passam a oferecer serviços de traumato e ortopedia que antes eram restritos a Canoas. Governador Eduardo Leite estará na região na próxima semana para confirmar regionalização dos serviços especializados. Expectativa de líderes locais é atender demanda reprimida que hoje passa de 2 mil pacientes

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Atualizado sábado,
03 de Junho de 2023 às 18:44

Convênio na Saúde promete terminar com calvário para pacientes
Hospital Estrela começa na próxima semana a triagem de pacientes da região que estão na lista de espera para atendimento em Canoas (Foto: Filipe Faleiro)
Vale do Taquari

Reivindicação histórica do Vale do Taquari está perto de ser atendida. Acerto entre Secretaria Estadual de Saúde, hospitais e agentes públicos locais determina a regionalização dos serviços de traumato-ortopedia.
Na quarta-feira, 7, o governador Eduardo Leite participa de reunião-almoço da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços de Estrela (Cacis) e, às 13h30min, se reúne com prefeitos e dirigentes das redes de saúde para assinar o convênio com os hospitais Estrela e Santa Terezinha (Encantado).

As casas de saúde tornam-se referências regionais para o atendimento especializado. Em Estrela, serão feitos atendimentos de alta complexidade, enquanto Encantado terá um ambulatório referência em média.
Pela reorganização do atendimento, os hospitais serão responsáveis por pacientes da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). Ao todo são 37 municípios que terão prioridade.

Pelo relatório elaborado pelas secretarias municipais de Saúde e pela própria 16ª CRS em abril deste ano, mais de 2 mil pacientes aguardam por consultas de traumato ou ortopedia. Quando se verifica a fila por cirurgias, são mais de mil pacientes. Alguns esperam pelo agendamento da intervenção por anos.
Para dar conta desta demanda reprimida, a equipe técnica da coordenadoria regional e a representação dos secretários de Saúde acreditam que seriam necessários de dois até três meses para equalizar as listas.
Pelo convênio, o Hospital Estrela poderá fazer por mês 72 cirurgias de média complexidade, 17 de alta e 700 consultas em traumato-ortopedia. A previsão é começar os atendimentos entre a metade do mês até as primeiras semanas de julho.

Já o serviço em Encantado, após instalação do ambulatório, será definido com base nas diretrizes e recursos do Programa Assistir do governo estadual. Hoje a referência é o município de Canoas, que continua como referência em urgência adulta e pediátrica, no Hospital de Pronto-Socorro de Canoas e no Hospital Universitário.

Começo na próxima semana

O gerente administrativo do Hospital Estrela, Johnnie Locatelli, antecipa que as equipes estão organizadas para iniciar o atendimento ambulatorial já na próxima semana. “A prioridade, neste primeiro momento, será a triagem à lista de pacientes fornecida pela coordenadoria regional. Esses pacientes estavam aguardando consulta ou cirurgias nos hospitais de Canoas.”
De acordo com ele, a instituição solicitou ao Estado equipamentos para qualificação do serviço. Seria algo em torno dos R$ 2,2 milhões. O projeto está na Secretaria de Saúde para aprovação. Em cima disso, o hospital ampliou a equipe de médicos especialistas. São pelo menos oito novos profissionais de traumato/ortopedia. Alguns deles já começam neste mês. Outros serão incorporados à equipe em julho.

Dificuldade para contratar equipes

O diretor do Hospital Santa Terezinha, de Encantado, Márcio Sottana, destaca que a maior dificuldade é conseguir médicos especialistas. “Vai ser necessário aumentar o quadro de profissionais não só na enfermagem, mas também nas áreas de apoio. Vamos começar com o mínimo possível e ajustar conforme a necessidade e o recurso financeiro disponível.”

De acordo com ele, ainda são feitos ajustes pontuais na infraestrutura da casa de saúde. “Temos um projeto do novo centro cirúrgico em andamento. Acredito que em uns três meses já estaremos com o novo complexo. Isso trará mais conforto e segurança para todos”. O planejamento do diretor é iniciar a prestação do serviço em julho.

Amadurecimento regional

O prefeito de Estrela, e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Elmar Schneider, considera a regionalização em traumato uma conquista da região. “Falamos disso faz 30 anos. Esse reconhecimento aproxima os atendimentos da comunidade.”

Na análise dele, trata-se de uma demonstração de amadurecimento, pois a articulação deve presença de todos os municípios locais e também da parte alta do Vale. “Trazer o atendimento é muito positivo. Foi possível pela união dos gestores municipais e da sensibilidade do governo do Estado.”

O presidente da Associação do Alto Taquari (Amat) e prefeito de Vespasiano Corrêa, Tiago Michelon, parte de opinião semelhante. “Tivemos um intenso diálogo e conseguimos achar boas soluções à saúde na região.”
O custo mensal para os procedimentos na casa de saúde de Estrela ultrapassa os R$ 622 mil. Para garantir o custeio, foi estabelecido um formato tripartite, com verbas da União, Estado e municípios.

Há um incentivo federal de R$ 100 mil disponível, além do recurso do Programa de Financiamento da Média e Alta Complexidades (MAC) de aproximadamente R$ 182 mil. O restante, em torno de R$ 240 mil fica pra dividir entre os municípios integrantes da regional. Com base nessas métricas, os municípios teriam um repasse mensal de R$ 0,66 por habitante para garantir os atendimentos.

Por lei, a obrigação para atendimento de média e alta complexidade é da União e do Estado. Aos municípios cabe a atenção básica. Em cima disso, foi estabelecido um prazo de 12 meses para participação das cidades.

Negativas e custos aos municípios

Levantamento feito pelo governo de Taquari aponta para um custo superior a R$ 1,1 milhão por ano para garantir atendimento com especialistas em traumato devido as negativas dos hospitais de Canoas. “Temos pacientes esperando desde 2015. É uma afronta à população, na medida em que na maioria das vezes a referência entende não ser o caso de receber o paciente”, diz o prefeito André Brito.

Como há recorrência neste tipo de atendimento, pacientes apelam à judicialização. Em cima disso, o custo ao município para custear exames, consultas e até cirurgias representa R$ 610 mil ao ano. Para o prefeito, com a referência em Estrela o aporte de recursos será empregado de maneira mais correta e fará com que outras despesas decorrentes do atendimento em Canoas sejam redirecionadas.

Presidente do Sindicato dos Hospitais Filantrópicos da região, Fernando da Gama, destaca a posição das casas de saúde. “A gestão manifestou o interesse em prestar o serviço, em fazer investimentos e garantir esse atendimento aos pacientes. A referência em traumato aqui no Vale é excelente.”

De acordo com ele, o contrato de regionalização precisa ser claro para acabar com o calvário vivido no cotidiano das emergências, pelas equipes médicas, de precisar encaminhar um paciente com politraumatismo e não conseguir vagas em Canoas. “Todas as partes precisam cumprir sua parte. O Estado e os poderes públicos garantirem o custeio e os hospitais garantir um atendimento de qualidade. Isso será ótimo à comunidade, desde que funcione.”

Pela reorganização do atendimento, os hospitais serão responsáveis por pacientes da 16ª CRS (Felipe Neitzke)

Modelo de custeio

Por lei, a responsabilidade no custo da média e alta complexidade é do Estado e da União. Aos municípios cabe a atenção básica. Ainda assim, o modelo construído pela região estabelece a participação dos municípios por um tempo máximo de 12 meses.

São 37 conveniados

Anta Gorda; Arroio do Meio; Bom Retiro do Sul; Boqueirão do Leão; Canudos do Vale; Capitão; Colinas; Coqueiro Baixo; Cruzeiro do Sul; Dois Lajeados; Doutor Ricardo; Encantado; Estrela; Fazenda Vilanova; Forquetinha; Ilópolis; Imigrante; Lajeado; Marques de Souza; Muçum; Nova Bréscia; Paverama; Poço das Antas; Pouso Novo; Progresso; Putinga; Relvado; Roca Sales; Santa Clara do Sul; São José do Herval; São Valentim do Sul; Sério; Taquari; Teutônia; Travesseiro; Vespasiano Corrêa; e Westfália.

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