“Para mim, a música é um  caminho de autoconhecimento”

ABRE ASPAS

“Para mim, a música é um caminho de autoconhecimento”

Natural de Arroio do Meio, Niola Petter, de 43 anos, cresceu rodeada pela música. De geração em geração, o gosto foi ensinado pela família e hoje ela se apresenta junto do pai Odécio e do irmão Ângelo. Mesmo com formação em Direito, foi no canto que Niola encontrou sua verdadeira vocação.

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“Para mim, a música é um  caminho de autoconhecimento”
Crédito: Nany Mayer/Arquivo Pessoal
Vale do Taquari
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Como começou a sua relação com a música?

A música está na minha vida desde a barriga da minha mãe. Meu pai sempre cantou e compôs, então todos os dias tinha música lá em casa. Quando crianças, nós dormíamos em beliches, e lembro do meu pai com o violão entre as camas, cantando para dormirmos.

Desde quando você canta?

Eu canto desde pequena, participava dos corais do colégio, de grupos vocais, estudava piano, violão. Quando eu tinha 11 anos, meu pai me convidou para cantar com ele, no Festival Canto da Lagoa, em Encantado. Nós ensaiamos muito, mas quando chegou o dia, eu amarelei. Quando eu vi o palco e todas aquelas pessoas, não consegui subir e cantar. Até hoje a gente brinca sobre isso na família.

Também lembro da minha primeira apresentação solo, eu fazia aula de canto aqui em Lajeado e no final do ano tinha a chamada “Audição”, tipo um sarau, onde os alunos se apresentavam. Não sei ao certo, mas tinha em torno de vinte anos, e fui me apresentar sozinha no palco. Eu tinha tanta vergonha que não conseguia desviar os olhos do chão, não conseguia sequer levantar a cabeça [risos].

Você se formou em Direito. Quando decidiu que gostaria de se dedicar à música?

Apesar da minha graduação, hoje eu trabalho só com a música. Logo que me formei, eu engravidei e acabei me dedicando às minhas filhas. A música sempre esteve comigo, eu tentei colocar de lado e me dedicar a outras coisas, mas ela sempre voltava. Hoje sei que ela faz parte de mim, sempre vem à tona.

A música está na sua família há gerações, certo?

A música vem da família do meu pai, meus primos, tios, muitos cantam e tocam. Pelo que a gente sabe, essa tradição vem de séculos. A princípio, os nossos antepassados, que vieram da Europa, trouxeram consigo instrumentos. A minha tataravó, Agnes, era maestra e ela ensinou os filhos a tocarem instrumentos. É muito legal perceber como a gente carrega essa herança ainda hoje.

Conte um momento marcante da sua vida em que a música esteve presente.

Foram muitos, mas nunca vou me esquecer de um momento específico. Eu e meu marido estávamos no carro, saindo do hospital alguns dias depois do nascimento da nossa primeira filha, Isadora. Íamos para a casa dos meus pais em Arroio do Meio e a música Vivir sin Aire, do Maná, começou a tocar. Naquela hora, estávamos nós dois, jovens, com um bebê no carro. Ali percebemos que, daquele momento em diante, era com a gente, tínhamos uma criança para cuidar. Foi muito marcante, lembro da música tocando e nós dois emocionados.

O que a música significa para você?

Conforme fui me abrindo para a música, também fui me conhecendo melhor. Foi como uma terapia. A gente externa pela voz o que está dentro de nós, na nossa alma. Quando cantamos, também emanamos por meio das vibrações da voz a nossa identidade. Quanto mais eu estudava, mais eu aprendia sobre mim, ainda é um caminho de autoconhecimento. A forma que eu aprendi a me expressar na música refletiu na minha vida pessoal também, nos meus relacionamentos e na forma que eu encaro o mundo.

 

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