Novo “Pânico” é uma conversa honesta e divertida com os fãs

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Novo “Pânico” é uma conversa honesta e divertida com os fãs

Quinto filme da franquia estreou nesta quinta-feira (13) e aprofunda os aspectos da metalinguagem que consagraram a série, além de abrir portas para o futuro

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Atualizado quinta-feira,
13 de Janeiro de 2022 às 20:14

Novo “Pânico” é uma conversa honesta e divertida com os fãs
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Principal estreia dos cinemas brasileiros nesta semana, “Pânico” tem o peso de continuar uma jornada narrativa, apresentar um novo caminho e ainda honrar o sucesso e importância da franquia – este é o quinto filme da série iniciada em 1996. Surpreendentemente, o filme dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett entrega tudo isso.

Celebrado pela autoconsciência e por problematizar e burlar as receitas dos filmes slasher– aqueles filmes com o assassino mascarado que usa uma arma branca e persegue adolescentes -,  Pânico sempre foi uma grande discussão sobre o cinema de terror – de forma pop e sangrenta, é claro. Por isso, é importante destacar que o novo filme abraça descarada e conscientemente os processos de remake que Hollywood tem feito, ao abrir portas para o futuro sem desrespeitar o passado.

A trama envolve um novo elenco – como “Pânico 4”, lançado em 2011 – de adolescentes e jovens adultos que precisam enfrentar o assassino Ghostface. Eles são liderados por Sam Carpenter (Melissa Barrera) – sobrenome que é uma referência a John Carpenter, diretor de “Halloween” (1978), filme que funda o slasher – que volta a Woodsboro após sua irmã, Tara (Jenna Ortega), ser atacada pelo assassino e conseguir sobreviver.

O elenco novo é tão carismático quanto o original e todo o arco narrativo é bem consolidado. O que faz com que nos importemos com os personagens e sintamos suas inevitáveis perdas – ainda que este seja o episódio que mais surpreende neste aspecto.

Logo a conexão com os filmes anteriores é apresentada e o retorno do trio de protagonistas veteranos – Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette – acontece de forma coerente e bem justificável. O ponto central da trama, é claro, é a descoberta de quem está por trás do plano sanguinolento. É uma resolução hiperbólica, mas condizente com o que é a franquia.

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O terror está materializado no gore bem filmado e narrado. A direção é perspicaz e talentosa. Há brincadeiras e desconstruções com as regras do gênero e do jumpscare – os momentos de susto – que tornam a experiência provocativa e, por vezes, propositalmente engraçadas. 

Mais do que isso, o filme todo é uma conversa com o fã. Quem gosta da franquia e do subgênero slasher se vê a todo momento desafiado a encontrar a autorreferência ou a indicação de alguma conexão com clássicos do horror. Isso é potencializado pela própria série de filmes que existe dentro do universo Pânico: “Stab”, ou “Facada”. Essa grande teia de metalinguagem permite uma jornada particular para quem ama essa história.

Há momentos que filmes do considerado “Novo Horror” são referenciados que vão além da estrutura do assassino de arma branca. Há piadas e provocações quanto a que tipo de filme representa um bom terror, por exemplo. Como se os diretores pedissem um tempo aos fãs destes novos filmes, como “A Bruxa”, “Hereditário” e “Corra!”, para dizer: calma, quem fez isso aqui originalmente foi Wes Craven; vocês estão sobre os ombros deste homem.

Esse diálogo tem o propósito de ir além da bolha do fandom de Pânico ou do horror como um todo. A consciência do que é e de onde pode ir dá charme e personalidade ao primeiro filme que não tem envolvimento de seu criador – Craven morreu em 2015. O novo Pânico abre espaço para um novo elenco com bons fundamentos, sem desrespeitar as regras de todo um gênero, para levar a franquia à frente, mas também para pensar sua própria história dentro da indústria. Mais: pensa até mesmo na forma como consumimos essas incontáveis franquias que, sim, nos formam intelectual e emocionalmente.

O filme está em cartaz no Shopping Lajeado em quatro horários: 14h20, 16h40, 19h e 21h20. Se você queria motivo para ir ao cinema, está aí a oportunidade.

Assista ao trailer:

Você pode conferir o Na Sua Tela de segunda a sexta-feira, sempre às 13h45 e 17h45 na programação da Rádio A Hora 102.9.

Ouça a edição desta quinta-feira (13):

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