Escolas e empresas articulam meios para suprir carências

Apagão da mão de obra

Escolas e empresas articulam meios para suprir carências

Dificuldade em contratar pessoas na área de tecnologia da informação exige movimento para ajudar os jovens a descobrir aptidões. Aproximar o mundo do trabalho das escolas é uma forma de encontrar soluções

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Escolas e empresas articulam meios para suprir carências
Reunião ontem na unidade do Senai de Lajeado tratou sobre formas de reduzir o déficit de mão de obra em TI (foto: Filipe Faleiro)
Vale do Taquari
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A lacuna entre a conclusão do Ensino Médio e a entrada no mercado de trabalho, por vezes afasta o jovem das melhores oportunidades. Aliado a isso, a falta de conexão entre os anos de aprendizado com o mundo do trabalho também é outro fator que corrobora com a dificuldade de empresas em encontrar talentos. De outra ponta, são poucos estudantes com conhecimento das aptidões.

Essas são algumas análises de professores e empresários quanto ao vácuo de profissionais em algumas carreiras. A mais latente hoje na área da Tecnologia da Informação (TI). Para solucionar parte destes impasses, o caminho passa por apresentar as diferentes carreiras e profissões para estudantes ainda no Fundamental.

Dos problemas às soluções, empresários, instituições educacionais e representantes do setor público se reuniram na tarde de ontem. A rodada de conversa foi proposta pelo Senai Lajeado. “Precisamos encontrar meios de desenvolver os talentos mais cedo. Deixar para o fim do Ensino Médio é um equívoco”, frisa o gerente operacional do Senai Vale do Taquari, Jerry Hibner.

A reunião teve presença de gestores de empresas de TI. Conforme Hibner, o intuito dessa aproximação é mapear as necessidades dos profissionais na área de TI em Lajeado. Por meio dessa conversa, diz, serão elaboradas formações de curta duração para estudantes do Fundamental e Médio.

Informações da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) indicam a necessidade de qualificação dos profissionais. Só em TI, o país precisa formar pelo menos 420 mil profissionais até 2024.

“Somos uma empresa escola”

O apagão da mão de obra é considerado o pior cenário para os negócios. É o que afirma o diretor de uma empresa de tecnologia, João Alex Fritsch. Com a dificuldade em formar as equipes, o meio encontrado foi ensinar em meio ao trabalho. “Somos uma empresa escola. O ideal seria ter dez candidatos por vaga e escolher o melhor. Hoje contratamos por perfil. Não por conhecimento.”

As afirmações de Fritsch reverberam entre os demais empresários. Diretor de outra empresa, Douglas Scheibler, confirma o momento de vazio para contratações de profissionais prontos. Com esse cenário, há dois caminhos: buscar trabalhadores já empregados, ou apostar nos talentos. Nos dois há riscos, diz.

Na competição pelos profissionais com experiência e formação, há necessidade de pagar mais. Isso inflaciona os salários. De acordo com ele, essa não é uma particularidade apenas de Lajeado ou da região. “Aqueles com qualidade, hoje podem trabalhar de qualquer lugar. Uma empresa da Suécia pode contratar e pagar em euros. Temos de conhecer essa realidade e nos posicionarmos, dentro da nossa realidade”, analisa.

Com relação ao treinamento, é uma aposta, pois para dar resultado, são necessários, no mínimo, dez meses. Dentro disso, o risco de ensinar e depois ver o funcionário sair para outra organização.

Descobrir vocações

Para o coordenador técnico de Educação Profissional do Senai, Marcelo Schedler, é preciso ajudar os estudantes a “experimentarem”, a conhecerem atividades profissionais. Aproximá-los do que se espera no mundo do trabalho. Na avaliação dele, esse é um dever de todos, seja o setor produtivo, o público, instituições de ensino e até mesmo às famílias.

“Precisamos buscar a vocação dos jovens. Inclusive mostrando aos pais o que há de perspectivas para o futuro profissional.” Na análise de Schedler, outro movimento importante é as empresas se aproximarem dos jovens, visitarem as turmas e contarem sobre o que fazem e o que projetam para o futuro.

A coordenadora dos cursos técnicos da Univates, Edi Fassini, ressalta que a pandemia ampliou essa escassez. Fez com que alunos desistissem da formação. Seja devido às perdas no orçamento da família, com impossibilidade de custear os cursos, ou mesmo pela priorização do trabalho frente a formação.