Como você chegou à crânio regulação?
Sou formada em Nutrição há 20 anos e sempre trabalhei na área, inclusive em concursos e na Emater. Hoje estou há 13 anos na instituição. Mas o que me levou à crânio regulação foi a minha própria história com a dor. Tive dores de cabeça dos 12 até aproximadamente os 38 anos. Eram dores fortes, quase incapacitantes. Em 2010, comecei um acompanhamento com neurologista e descobri que eram dores tensionais. Até então, tratava como enxaqueca. Passei por muitos tratamentos, usei medicações, fiz exercícios, fisioterapia, massagens e outras técnicas. Todas tiveram seu valor e ajudaram em algum momento.
Como aconteceu a descoberta da técnica?
Tenho uma amiga de infância que mora em Portugal há mais de 20 anos e se formou em osteopatia. Quando ela veio ao Brasil, disse que iria me tratar. Em poucas sessões, tive um alívio total das dores. Hoje, às vezes, passo meses sem ter medicação na bolsa, algo que era impensável para mim antes. Depois, ela me apresentou o curso de crânio regulação. Inicialmente, fiz pensando em utilizar como autocuidado e com familiares. Mas acabei me identificando com a técnica e comecei a atender em 2025. Meu primeiro paciente chegou com a lombar travada, depois de passar meses procurando diferentes tratamentos. Apliquei aquilo que havia aprendido e ele saiu destravado. Quando ele saiu da sala, eu chorei de emoção. Foi quando pensei: é isso que eu quero para mim.
O que é, afinal, a crânio regulação?
Se eu tivesse que explicar em uma frase, diria que é uma técnica manual de regulação do sistema nervoso. Ela utiliza apenas as mãos e envolve liberação fascial, teoria polivagal, neurociência e fisiologia. O objetivo é trabalhar regiões de tensão do corpo e as estruturas relacionadas à dura-máter, uma das meninges. A técnica não atua apenas na cabeça. Esse é um equívoco comum por causa do nome. O trabalho pode envolver diferentes regiões, da pelve até o crânio. A ideia é buscar uma regulação do sistema nervoso e trabalhar não apenas a questão física, mas também aquilo que a pessoa reconhece como uma memória da dor.
Como funciona uma sessão?
A sessão dura cerca de uma hora. A pessoa deita na maca e o trabalho é todo manual. Pode haver desconforto, especialmente quando existem músculos muito tensionados há anos, mas a proposta não é provocar uma dor insuportável. Existem técnicas de liberação e dessensibilização para que a pessoa se sinta segura durante o processo. Para mim, isso é muito importante. O objetivo não é reforçar uma experiência de dor.
Os resultados podem aparecer logo no primeiro atendimento?
Existem casos e casos. Já tive uma cliente que sofria com dor de cabeça constante havia cerca de um ano. Ao conversarmos, ela relacionou o início do problema a um período de muita preocupação com a saúde do filho. Após uma sessão, ela relatou que não teve mais dor. Depois voltou outras vezes, mais por receio de que o problema retornasse. Mas não existe uma regra. Há pessoas que precisam de um processo mais longo, com atendimentos semanais ou quinzenais. Quando são dores e tensões de muitos anos, não se pode ter a pretensão de resolver tudo em um dia. Eu sei o que estou falando porque vivi isso. Sei o que é procurar diferentes caminhos e sentir que ainda existe algo que precisa ser resolvido.
