El Niño reforça importância da rotação nas lavouras

Agricultura

El Niño reforça importância da rotação nas lavouras

Prática pode elevar a produtividade em até 60% em anos de ocorrência do fenômeno, apontam pesquisas

El Niño reforça importância da rotação nas lavouras
Como exemplo, áreas cultivadas com trigo em um ano podem receber canola no inverno seguinte, enquanto talhões que tiveram soja podem ser destinados ao milho na safra posterior (foto: divulgação)
Agro 360

A adoção da rotação de culturas é uma das principais estratégias para aumentar a produtividade e reduzir riscos na produção de trigo, sobretudo em anos influenciados pelo fenômeno El Niño. Estudos apontam que a resposta produtiva da cultura depende em cerca de 50% das condições ambientais, enquanto a outra metade está relacionada ao solo, à genética e ao manejo adotado pelo produtor.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Genei Dalmago, sistemas de rotação podem proporcionar ganhos de 35% a 40% na produtividade dos grãos em comparação ao monocultivo. Em safras marcadas pelo El Niño, esse incremento pode chegar a 60%.

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Segundo Dalmago, a recomendação vai além da alternância entre trigo no inverno e soja no verão. A estratégia ideal envolve a rotação entre culturas de inverno e também entre culturas de verão. Como exemplo, áreas cultivadas com trigo em um ano podem receber canola no inverno seguinte, enquanto talhões que tiveram soja podem ser destinados ao milho na safra posterior.

Para facilitar o manejo, o pesquisador sugere dividir a propriedade em três ou quatro talhões, promovendo a alternância entre gramíneas, leguminosas e brássicas. A prática melhora as condições do solo, reduz a incidência de doenças e aumenta a estabilidade produtiva.

Cultura antecessora influencia necessidade de nitrogênio

A cultura cultivada antes do trigo também interfere diretamente na necessidade de adubação nitrogenada. Conforme o pesquisador da Embrapa Trigo, André Julio do Amaral, o nabo forrageiro é uma das melhores alternativas para aumentar a disponibilidade de nitrogênio no sistema.

Embora não realize a fixação biológica do nitrogênio atmosférico, a espécie possui raízes profundas capazes de reciclar nutrientes das camadas inferiores do solo. Com produção próxima de 3 mil quilos de biomassa por hectare, o nabo forrageiro pode acumular entre 50 e 60 quilos de nitrogênio por hectare na parte aérea.

Segundo Amaral, a decomposição da palhada permite disponibilizar parte desse nutriente para a cultura seguinte, podendo suprir quase metade da necessidade de nitrogênio de uma lavoura de trigo com potencial produtivo de 4 mil quilos por hectare. Além da redução dos custos com fertilizantes, a prática contribui para a eficiência do uso dos nutrientes e para a sustentabilidade do sistema produtivo.

Por outro lado, o pesquisador Fabiano De Bona destaca que o milho, apesar de deixar maior volume de palha sobre o solo, disponibiliza menos nitrogênio para o trigo devido à decomposição mais lenta dos resíduos. Em consequência, áreas de trigo cultivadas após milho podem demandar até 30 quilos por hectare adicionais de nitrogênio em relação às áreas sucedidas por soja.

Inoculação é complementar à adubação

O uso da bactéria Azospirillum brasilense nas sementes também pode auxiliar o desenvolvimento das plantas, mas não substitui a adubação nitrogenada. O pesquisador José Pereira da Silva Júnior ressalta que as bactérias não conseguem suprir integralmente a demanda nutricional da cultura.

Segundo ele, a resposta à inoculação varia conforme a cultivar e as condições de cultivo. Quando o produtor conhece o comportamento da variedade utilizada, pode haver redução de até 30% na dose recomendada de nitrogênio. Ainda assim, o manejo adequado da fertilidade do solo permanece essencial para garantir elevados níveis de produtividade.

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