O setor agropecuário do Rio Grande do Sul viveu um cenário de disparidade em maio. Enquanto o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) apresentou estabilidade, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos Pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou queda, interrompendo uma trajetória de alta observada nos meses anteriores.
O IICP fechou o mês com uma variação praticamente nula, alta de apenas 0,04%. Segundo a Assessoria Econômica do Sistema Farsul, responsável pelos indicadores, o alívio nos custos foi impulsionado pela queda na taxa de câmbio, que barateou insumos importados como fertilizantes e defensivos, além da redução nos preços do diesel, o que diminuiu a pressão sobre fretes e operações mecânicas.
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Apesar do alívio pontual, a tendência de longo prazo mostra uma retomada na pressão de custos. No acumulado de 12 meses, o IICP avançou para 3,11%, sinalizando que os custos voltaram a subir após o período de deflação verificado em 2025. No acumulado do ano, a alta chega a 5,94%, concentrada principalmente nos meses de março e abril.
Preços recebidos em retração
Em contrapartida, o cenário para o produtor foi de desvalorização em maio. O IIPR registrou uma queda mensal de 1,98%, movimento impulsionado principalmente pela desvalorização de produtos como soja, arroz e suínos.
Com este resultado, o IIPR acumula uma queda de 7,64% em 12 meses, indicando que os preços pagos ao produtor continuam abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior.
O relatório da Farsul destaca ainda o “descasamento” entre o que o produtor recebe e o que o consumidor final paga nas prateleiras, medido pelo IPCA Alimentos. Enquanto o IIPR acumula retração em 12 meses, o IPCA Alimentos segue pressionado, com alta de 3,87% no mesmo período. Para os analistas, essa diferença evidencia que a inflação de alimentos não tem sua origem no campo, mas sim ao longo das demais etapas da cadeia produtiva e por fatores da dinâmica macroeconômica.
