“Gostava muito de desenhar, mas nunca pensei que tinha potencial”

ABRE ASPAS

“Gostava muito de desenhar, mas nunca pensei que tinha potencial”

Com desenhos abstratos, Maria Iolanda Carrera Casara, 23, deu cor à exposição “Untitled”, que pode ser conferida na Casa de Cultura de Lajeado até o fim do mês. Diagnosticada com autismo e tendo passado por um período de depressão, ela encontrou na arte mais um incentivo para viver.

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“Gostava muito de desenhar, mas nunca pensei que tinha potencial”
Crédito: Bibiana Faleiro
Lajeado
Gustavo Adolfo 03

Quando começou a sua história com a arte, com o desenho?

Quando tive meu primeiro emprego, aos 20 anos. Eu era telefonista no fórum de Teutônia e às vezes eu tinha tempo e ficava em uma sala sozinha. Então comecei a rabiscar. Quando mostrei para a minha psiquiatra ela me encorajou a fazer mais. Eram desenhos criativos. Comprei um caderno e ficava sempre pintando. Antes eu gostava muito de desenhar, mas nunca tinha pensado que eu tinha potencial.

O que a arte significa na tua vida?

Antes eu achava que eu não tinha nada, nenhum talento. Me deu até vontade de viver mais. Fui diagnosticada com depressão quando eu tinha 13 anos. Fui internada e há pouco tempo fui diagnosticada com autismo. Comecei a me encontrar. Antes eu tinha uma fobia de estar no meio das pessoas, só ficava no quarto. Começamos a me entender melhor depois do diagnóstico.

O que mais gosta de desenhar?

Eu gosto mais de abstrato e misturo tudo, uso tinta guache, tinta acrílica, lápis, caneta, spray.

De onde vem sua inspiração?

Gosto do Jean-Michel Basquiat. Tenho livros e leio sobre ele. Eu gosto de estudar sobre arte. Aprendo sozinha. Também aprendi inglês. Tenho mais facilidade para fazer isso sozinha. Também fiz um curso online no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, sobre a história da arte.

Você pensa em continuar desenhando?

Quero muito conseguir expor em museus e viver disso. Conseguir vender os meus trabalhos. Até agora vendi alguns pelo Instagram @negativequeer. Minha psiquiatra comprou alguns e estão expostos no consultório dela.

Qual a técnica utilizada para os desenhos?

Hoje desenho em papel, porque em telas precisa de tintas mais caras e não consigo ainda. O desenho vai surgindo na hora. Até às vezes eu faço um pouco e saio, ou coloco longe para olhar de longe e depois volto. Às vezes, se eu não parar, coloco muita tinta e o papel rasga.

Além do desenho, o que mais gosta de fazer?

Eu escuto muita música, gosto de muita coisa, mas agora escuto mais rock, pop, rap, também estou mais focada no kpop, daí fica nessas coisas. Também tenho muita vontade de ter um emprego, mas quando colocamos no currículo o autismo, fica difícil. Eu queria conseguir investir na arte.

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