Lula presidente: e agora?

Opinião

Guilherme Cé

Guilherme Cé

Economista

Lula presidente: e agora?

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As eleições passaram. A escolha da maioria que compareceu às urnas pode não ter agradado grande parte da sociedade regional, mas nos cabe aceitar e olhar para o futuro, sem nunca esquecer dos erros do passado. Mas o que o futuro governo Lula nos reserva?
Trata-se aqui de uma opinião pessoal, baseada na minha atual leitura do cenário.

Escrevo sabendo que em poucas horas, com uma nomeação equivocada, tudo pode mudar. Para ser sincero, se tivesse escrito o mesmo texto há duas semanas teria sido mais otimista – ou, talvez, menos pessimista.

O fato é que o novo governo inicia sem margem para erros. Se em 2018 o antipetismo elegeu Bolsonaro, em 2022 foi o anti bolsonarismo que elegeu Lula. E isso por si só é um grande desafio. Lula e o PT não ganharam sozinhos. O novo presidente terá que fazer ginástica para compor um governo minimamente coeso e, provavelmente, não sairá disso sem grandes traumas e rupturas. O anti-bolsonarismo fez com que o novo presidente tivesse apoios improváveis, mas decisivos, e isso terá seu preço agora.

Se a escolha do ex-tucano Alckmin para vice deu sinais de moderação – coisa que faltou ao candidato derrotado, que preferiu escolher um vice que pouco agregou politicamente –, por outro lado o espaço dado a velhos companheiros petistas, com currículos manchados pela corrupção ou pela incompetência gerencial, quando não ambos os casos, poderá levar o governo pro outro extremo. Se a ala do “centro democrático” ou a do petismo tradicional ganhará essa queda de braço, só o tempo dirá. E isso será decisivo para mostrar qual governo teremos.

Já acreditei mais, mas ainda espero que o novo governo Lula não gere rupturas econômicas no curto prazo. Haverá sim nomeações políticas e de personagens que deveriam ficar no passado. Isso é inevitável, infelizmente. Mas ainda acredito que o novo presidente será pragmático nas escolhas da área econômica, se aproximando muito mais do que fez em 2003 do que no seu segundo mandato e na era Dilma – escolhas que, sempre é bom lembrar, nos colocaram na pior recessão do último século.

Se Lula acertar minimamente nas escolhas econômicas e avançar na agenda de reformas (especialmente a administrativa e a tributária), acredito que o Brasil tenha chance de descolar do mundo nos próximos anos e crescer acima da média dos demais países. Agora, se reeditar as escolhas do passado podem ter certeza que o fracasso é questão de tempo.

Felizmente a sociedade e a oposição parecem estar mais atentas para evitar que fiquemos por anos aplaudindo medidas equivocadas, acreditando que a conta da irresponsabilidade fiscal ou da incapacidade gerencial não chegará. Ela sempre chega – por mais que alguns insistam em terceirizar a própria culpa.

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