Desempenho comprometido

EDITORIAL

Desempenho comprometido

Desempenho comprometido

Dados relativos à produção agrícola dos municípios foram revelados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo é referente a 2020 e possibilita uma série de interpretações acerca da produtividade regional.

A produção agrícola do Vale do Taquari no ano passado foi de R$ 462,9 milhões, com redução expressiva na comparação com 2019. A queda é de 5,53%. Na análise de especialistas, o principal motivo foi a estiagem, uma das piores dos últimos anos no Rio Grande do Sul. Em nível estadual, a quebra foi de 9,3%.
Vale destacar os produtos que tiveram as melhores vendas na região: tabaco, erva-mate, milho e soja. O desempenho negativo ainda foi atenuado pela valorização de grãos, diante da escassez do produto no mercado brasileiro. O levantamento não considera a produção de carnes e de leite, onde estão as maiores vocações do Vale do Taquari.

De qualquer forma, é necessário destacar a vulnerabilidade das lavouras gaúchas em relação às condições do tempo. A cada verão, volta a preocupação quanto às consequências da estiagem para os produtores rurais. Em uma região em que o setor primário é a base produtiva, a seca representa perdas para milhares de famílias e prejuízos significativos para a economia local.

Como enfrentar esse problema cíclico, que periodicamente assola as propriedades? São nesses períodos que se torna indispensável a presença do poder público e das organizações vinculadas ao campo. No entanto, as medidas não podem se restringir a ações paliativas, como a disponibilização de carros-pipas ou mesmo a possibilidade de renegociação das dívidas dos produtores.

Em um estado que depende eminentemente do setor primário, urge a criação de um sistema inovador de irrigação no meio rural. Ainda são poucas ou insuficientes as políticas públicas voltadas para o campo, capazes de fazer com que a principal fonte de riquezas do RS não continue como refém do tempo.