Os gaúchos e o RS

Opinião

Bibiana Faleiro

Bibiana Faleiro

Jornalista

Os gaúchos e o RS

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Existem diferentes tipos de sul riograndenses. Há aqueles que amam a tradição e vestem as indumentárias com paixão. Que estão na lida campeira, com bombacha, vestidos e chapéus. Que conhecem as músicas e cantam como se o hino fosse mesmo a conhecida “Querência Amada”. Para alguns, o estado, inclusive, já estaria separado do resto do Brasil há tempo.

Há aqueles que são anti-bairristas. Que não gostam do traje típico e não se importam em defender a tradição. Que bebem o chimarrão por hábito, muito mais do que gosto. Que problematizam o governo do estado e atribuem os problemas de hoje aos costumes do passado que ainda habitam o campo e a cidade.

Mas também há aqueles que procuram uma evolução no sul, e entendem que ela vem com passos lentos. Aqueles que querem ver as mulheres conquistando espaço no campo, nas lideranças tradicionalistas, no meio artístico e cultural.

Aqueles que calçam as botas e vestem os trajes nos finais de semana. E fazem do churrasco de domingo um costume para, também, reunir a família. Há aqueles que, mesmo em trajes urbanos, também sabem as letras das músicas e cantam com o coração.

Há gaúcho e gaúcho dentro de um estado tão diverso. De etnias, personalidades e entendimento sobre o nosso povo. Mas, acima das vestimentas, do churrasco ou do chimarrão, o sul riograndense é aquele que quer ver o seu estado evoluir. Mesmo que venha de outros lugares e, com os “tu”s e “bah”s na ponta da língua já se sentem parte da tradição. Acho que essa é a palavra que mais nos define.

Para mim, o 20 de setembro, apesar de ser marcado por uma derrota há tanto tempo, hoje é um encontro de família e um momento para relembrar a infância quando vivíamos correndo pelos campos. Em cima dos cavalos e tomando mate com os primos na varanda.

Mas, acima de tudo, é um momento que me faz pensar sobre o que faço para manter essa tradição. Que pode não ser perfeita, mas perpetua a história dos nossos antepassados, dos nossos pais e avós e, um dia, vai perpetuar a nossa história também.

Boa leitura!