As gestões públicas do Vale evoluem

opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

As gestões públicas do Vale evoluem

Por

Vale do Taquari
BRDE - Lateral vertical - Final vertical

Em Lajeado, o Promove e o Pacto Lajeado Pela Paz. Em Estrela, o avanço do projeto logístico, a preservação da história e o boom de investimentos em várias áreas. Em Encantado, o Cristo Protetor e a cereja do bolo ao turismo regional. Em Santa Clara do Sul, uma gestão de arrojo e de inovação que desponta e inspira.

Abro este artigo com quatro exemplos de gestões públicas que traduzem à altura o momento que o Vale do Taquari atravessa. Tenho conversado – e entrevistado – muitos prefeitos, líderes de entidades e empresários nos últimos meses. O ecossistema criado na região é singular, empolgante e tem tudo para colocar o Vale do Taquari num patamar bem acima do atual.

O que se percebe é um olhar mais profissionalizado sobre o serviço público. Claro, não sejamos ingênuos em ignorar as segundas intenções que estão embutidas nos movimentos. Mas, é preferível que as segundas intenções sejam alcançadas com trabalho perene e voltado ao interesse coletivo, em vez de discursos inflamados e ações assistencialistas.

Marcelo Caumo é cotado para ser candidato a deputado já no próximo ano. Paulo Kohlrausch quer concorrer a uma das cadeiras na assembleia legislativa. Elmar Schneider já foi deputado e quer reocupar o prestígio que já teve. Jonas Calvi virou prefeito por acaso, mas é um jovem que também pretende fazer carreira sólida na vida pública.

Se olharmos para Taquari, Bom Retiro do Sul, Arroio do Meio, Teutônia, entre outros, também percebemos movimentos promissores de prefeitos comprometidos em tornar a gestão mais profissional. Está na hora mesmo.

O Vale do Taquari é a bola da vez. Muito por isso, precisamos de gestores públicos alinhados com o interesse à altura dos investimentos projetados pela iniciativa privada. Aquele tempo de discursos e promessas ufanistas dá lugar para uma atuação mais conectada ao interesse local e regional.

O gestor público precisa ser um indutor do desenvolvimento e garantir o serviço básico de qualidade. E no caso específico da região, precisam fazer os movimentos necessários para consolidar o Vale como polo de Alimentos, de Saúde, de Turismo e de qualidade de vida. Estamos no caminho.

O ecossistema criado na região é singular, empolgante e tem tudo para colocar o Vale do Taquari num patamar bem acima do atual.

O Ibama e o seu desserviço

(Foto: Arquivo A Hora)

As obras de duplicação da BR-386 eram para iniciar em fevereiro. Diz o contrato. Estamos no fim de maio. Semana que vem é junho. Já se passaram três meses e o Ibama tranca o início dos trabalhos. A Eurovias, empresa contratada pela CCR Via Sul, já oficializou a contratação de dezenas de trabalhadores. O que se vê em Marques de Souza é um monte de pessoas sentadas na sombra esperando o aval do Ibama para iniciar as obras.

Alguém está pagando essa conta, é claro. Ainda não é motivo para maiores preocupações ou de termos atraso no cronograma das obras. Mas, se o Ibama insistir em trancar os trabalhos, logo logo, teremos anúncios de que os prazos não serão atendidos.

A inação e a morosidade do Ibama diante deste caso são o retrato mais cristalino do quanto o serviço público pode – quando quer – atrapalhar a iniciativa privada e a sociedade. Me dá calafrios quando me recordo das “tranqueiras” da Funai e do Dnit no processo de duplicação da BR entre Estrela e Tabaí. Será que o raio vai cair duas vezes no mesmo lugar?

É bom a região ficar atenta a essa demora e aumentar a pressão para cima do Ibama. Afinal, já perdemos três meses.