“Despertar, essa é a grande mudança”

Comportamento

“Despertar, essa é a grande mudança”

Monja Coen explica como o renascer, o encontro com o “eu”, pode ser a peça-chave para a evolução humana

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“Despertar, essa é a grande mudança”
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Falar em renascimento nesta época do ano remete, muitas vezes, a história de Jesus Cristo, a qual celebramos sua ressurreição no próximo dia 04 de abril.

No entanto, o verdadeiro significado de “renascer” vai muito além da simbologia por trás desta história bíblica. De acordo com diferentes crenças e religiões, como o budismo, o termo relaciona-se com a busca do ser humano por sua essência, tarefa que pode ser a peça-chave para a evolução da humanidade.

Segundo a monja zen-budista, Cláudia Dias Baptista de Souza, mais conhecida como Monja Coen, a ideia de renascimento no budismo é muito importante, pois representa o encontro com o “eu” verdadeiro, a essência do ser.

“Temos as tendências genéticas e as experiências que, durante a vida, criam a nossa personalidade. Porém, existe um momento em que precisamos perguntar: o que sou? Por que nasci nessa época?”, reflete a Monja.

Por meio destas perguntas, Coen explica que se desenvolve a chamada inteligência espiritual, com a qual surge um novo estado mental. “A partir dela deixamos de ser crianças ou adolescentes e passamos a adultos, responsáveis pelas próprias palavras e gestos”.

Seja por meio de interações pessoais ou pela literatura, essa mudança de expansão da consciência auxilia as pessoas a entenderem as diferentes realidades do mundo, não atentando somente para o universo particular. Pensar por outras perspectivas, segundo a budista, é uma tarefa difícil, mas gratificante e que traz resultados transformadores.

“No zen budismo nós falamos que, às vezes, precisamos morrer na almofada de meditação. Ou seja, morrer para as ideias que você tem sobre você e sobre a vida”. Para a monja, as pessoas precisam se autoconhecer para então utilizar, da melhor maneira, suas qualidades e defeitos, em prol dos outros e de si mesmo.

 

Não iguais, mas importantes

O budismo acredita que todos pertencem a uma mesma família, mesmo que as pessoas não sejam iguais umas as outras. Considera que as diferenças estéticas e culturais são importantes, pois fazem dos seres figuras semelhantes e, ao mesmo tempo, únicas. “Não estamos aqui para copiar o outro, nem mesmo ser copiado por alguém”, destaca a Monja.

Tais diferenças são significativas para a evolução do ser, pois cada pessoa que chega à vida de alguém corresponde a uma troca de conhecimento e crescimento pessoal. Não é preciso impor opiniões igualitárias, apenas aprender a respeitar o diferente. “Despertar, essa é a grande mudança. Significa o estado buda, que vê a realidade como ela é e atua de forma assertiva para que fique bom para todos”.

 

Os desafios da pandemia

A pandemia do novo coronavírus, para Coen, é uma situação que mudou a todos. Algumas pessoas tiveram a oportunidade de refletir mais sobre o sentido da vida, se questionaram sobre suas missões e puderam apreciar as relações intimas familiares. Outros, no entanto, só quiseram tirar vantagem.

Diante de tantos desafios sociais acentuados pelo momento, a Monja afirma que nunca foi tão importante o autoconhecimento e o respeito com o próximo. “O que temos que desenvolver é o amor, a compreensão e a solidariedade. Não há momento para brigas”.

Para ela, o mundo está lidando com um ser desconhecido e que renasce a cada dia. A evolução do vírus e sua capacidade de adaptação comprova a necessidade da constante evolução para a sobrevivência.

Ao fazer uma analogia da situação, Coen explica que, assim como o vírus renasce e se espalha, os seres precisam renascer em ideias, maneiras de estar no mundo e de se comunicar.

Questionada sobre os negacionistas da pandemia, a zen-budista explica que, aqueles que negam a realidade, estão em conflito interno.

“Levamos anos para construir a ideia de quem somos. De repente, uma mudança da realidade faz com que essa figura comece a se partir. Ou seja, a pessoa cria medo, pois não sabe mais quem é e perde a própria identidade. Por isso, muitos procuram se agarrar a algo vazio e ilusório, uma fantasia que resgata o “eu”.

 

O despertar

A Monja Coen revela o desejo de querer que toda humanidade desperte, mas se questiona diariamente como fazer com que todos os seres acordem e vivam em harmonia. “Nós ainda estamos escravos de nós mesmos, dos nossos pensamentos, limites e incapacidades de ver a realidade como um todo e cuidar dos outros como se fosse um bebezinho. Precisamos nos unir para vencer essa batalha.