“O bordado se tornou uma técnica de expressão”

Abre aspas

“O bordado se tornou uma técnica de expressão”

A lajeadense Karina Fleck, 26, começou a bordar como hobby, mas logo fez da prática sua profissão. Resgatando moda dos anos 80 e 90, ela acredita que a visão sobre a técnica, antes considerada antiga e tradicional, está em transformação e ganha cada vez mais adeptos entre os jovens

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“O bordado se tornou uma técnica de expressão”
(Foto: Arquivo Pessoal)
Vale do Taquari

Como surgiu teu interesse pelo bordado?
Cursei Design na faculdade e sempre me interessei pela parte mais “mão na massa” das coisas. Ainda na faculdade participei de eventos de estudantes de design e num desses tinha uma oficina de bordado livre. Não consegui participar, mas quando voltei pra casa pesquisei mais e pedi pra minha mãe me ensinar, já que ela sabia alguns pontos básicos. Foi nessa época que comecei a bordar, no final de 2016.

O que mais gosta na prática?
Gosto de tudo. Tanto que virou meu trabalho oficial. Mas acho que a sensação de bordar mesmo, quando eu fico super concentrada ali nos tecidos, linhas e pontos. Parece uma meditação. Mas também gosto muito da parte de criar os esboços/desenhos que vão virar bordados depois, juntar ideias, escolher cores, fazer as ilustrações.

Qual é o estilo do teu trabalho?
Bordado livre, mas acabo fazendo um pouco de tudo: ilustração contornada, outras preenchidas, ilustrações de pessoas/fotos, flores. Costumo fazer peças para decoração, mas também gosto muito de fazer ecobags e outras peças mais “úteis”, como bordar roupas, jogos americanos, almofadas, etc. Os que mais gosto de fazer são os que me tiram da zona de conforto. Às vezes aparecem clientes com ideias muito diferentes. Fico bastante animada por poder criar algo novo. Gosto de fazer alguns trabalhos mais experimentais, como bordar em folhas de árvores ou emoldurar em formatos diferentes do comum, acho que aí foge do óbvio e do que estamos acostumados a ver.

O que te inspirou a compartilhar sobre o bordado nas redes sociais?
Criei o instagram @karinafleck logo que comecei, mas não usava muito. Quando decidi realmente trabalhar com isso comecei a estar presente todo dia por lá. O que me motiva é saber que meus clientes vêm de lá, e também que ajudo e inspiro outras pessoas. Mostro também o meu dia a dia, meu estilo de vida, a pessoa que está por trás do trabalho. Também mostro as etapas por trás dos bordados. Acho que isso faz com que as pessoas se sintam parte do processo. Algumas me mandam mensagens dizendo que começaram a bordar depois de me acompanhar. Um dos meus próximos planos é dar aulas/oficinas.

Como você vê a prática entre os jovens?
Acho que já foi muito relacionado a coisas antigas e “tradições” antigas. Eu, particularmente, adoro essa estética de “coisas de vó”. Acredito que isso vem mudando. Pelo menos, na minha bolha do bordado, eu vejo muita gente nova. Mas também acho que isso vem mudando pela moda. A estética dos anos 80 e 90 voltando e o bordado faz parte disso. O bordado se tornou mais uma técnica de expressão, e acho que os mais jovens estão começando a ver dessa forma também.