opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Para você, o que é um corpo bonito?

Por

A ideia de falar sobre padrão de beleza estava há um bom tempo na gaveta de pautas desta repórter. Há algumas semanas, a equipe por trás do Você decidiu que era hora de tocar no assunto. Desde o início, o intuito foi compreender o que é um padrão de beleza, de onde ele vem e qual o limite entre o saudável e um relacionamento abusivo com a própria aparência.

Abordar o tema rendeu muito aprendizado e, claro, incômodo. Sim, algumas pautas trazem desconforto ao longo do seu processo, mas, para mim, estas são as melhores. Se te ajuda a desconstruir, te ajuda a evoluir.

Discutir sobre padrões estéticos – e, principalmente, problematizá-los – é mais do que aprender sobre comportamento humano, o que por si só, já me fascina. Discutir e refletir sobre o que é bonito ou não, quando se trata de físico, é aprender sobre autoestima, amor-próprio e aceitação, mas, acima de tudo, é também um processo de autoconhecimento e desconstrução de mim mesma. Afinal, como te dizer que você deve amar a si mesmo (a) sem antes te dar o exemplo?

Assim como talvez seja o seu caso, cresci sob o olhar exigente que a sociedade impõe às mulheres. É claro que a pressão estética também pesa sobre os homens, mas a forma como ela oprime as mulheres é desproporcionalmente maior.

As primeiras críticas que ouvi em relação ao meu corpo, por exemplo, me foram dadas ainda na infância, disfarçadas de preocupação, é claro. Porque a crítica ao corpo feminino sempre tem como origem a preocupação, não é mesmo? Tá bom.

Segundo uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, divulgada em 2019, o Brasil é um dos países onde mais se realizam este tipo de procedimento. Entre os mais procurados, o silicone e a lipoaspiração. O que assusta é que eles têm acontecido cada vez mais cedo. Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, houve um aumento de mais de 140% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos nos últimos dez anos.

A influência da mídia nesse cenário é indiscutível, mas não podemos nos abster da culpa e esquecer que quem reforça padrões estéticos inacessíveis para a ampla maioria da população somos nós mesmo.

Além da busca incessante por se caber na caixinha do que é considerado bonito, contribuímos com essa realidade ao fechar os olhos para uma cultura egocêntrica que cultua a imagem acima de tudo, que objetifica mulheres e erotiza crianças, que adoece a mente e o corpo, mas faz muita gente lucrar.

Espero que a nossa matéria te ajude a pensar e a desconstruir algumas ideias que nos são entregues já prontas, e que os belos depoimentos sobre aceitação também te incentivem a olhar com mais carinho para o teu próprio corpo e para o ser humano que nele habita.

Prometo que vou tentar também.

E respondendo ao questionamento do título desta nossa conversa, para mim, um corpo bonito é o de quem se sente confortável em ser quem é, que abraça as suas particularidades e dá risada na cara dos padrões.