opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

A vacina

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Desde março, o assunto vacina faz parte do nosso dia a dia. Sim, para darmos a volta na pandemia, esperamos que uma vacina nos liberte das restrições que por ora vivemos.

A palavra vacina originou-se por meados de 1700, por um médico inglês chamado Edward Jenner, que percebeu que as pessoas que trabalhavam com ordenhas não contraíam a grave e terrível varíola. Naquele tempo, a varíola matou milhares de pessoas. O que ocorria é que havia uma espécie de varíola bovina, que afetava o ubre das vacas, e ao manipulá-las, as pessoas se contaminavam de uma forma bem menos agressiva da infecção e se tornavam imunes. O Dr. Jenner inoculou uma criança com o pus das lesões das vacas, e o menino desenvolveu um quadro leve de infecção. Posteriormente, ele foi inoculado com a varíola e não desenvolveu a doença.

Estava aberta uma nova era na medicina. No fim dos anos 1800, quase na virada do século, um médico francês chamado Louis Pasteur desenvolveu vacina contra raiva, cólera e antraz, doenças que assolaram e mataram milhares de pessoas.

Nos anos de 1960-1970, surgiram vacinas contra difteria, sarampo e caxumba. E milhares de crianças foram imunizadas, protegendo-se de tais terríveis doenças. A imunização fez com que o último caso conhecido de varíola fosse registrado na África em 1979. A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, teve uma vacina desenvolvida por um médico chamado Albert Sabin. Este, ao ver o resultado de seu trabalho, abriu mão dos direitos, pois achava que mais importante que ficar rico, era saber que havia salvo milhares de crianças de uma terrível doença incapacitante.

Desde 1990, não há registro de casos de poliomielite no Brasil. O Brasil era um país livre de sarampo, até 2016, quando houve uma onda de migração de pessoas vindas da Venezuela, que não tinham a doença controlada e que não vacinavam a população. Assim, o vírus voltou a circular e o problema voltou a assustar os médicos.
Todos nós esperamos uma ou mais vacinas, contra a COVID-19, que pode nos afastar dos quadros graves da doença e nos devolver a liberdade. Mas não, ninguém é obrigado a fazer vacina. O estado gastou milhões com o tratamento da COVID-19 e gastará milhões com a vacina. Graças, a varíola está erradicada do planeta, desde 1979.