Líderes fracos e omissos adoecem equipes

opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

Líderes fracos e omissos adoecem equipes

Por

Lajeado

Líderes não são chefes. Ao invés de comandar, devem inspirar. Não podem estourar, precisam falar calmamente.

Seja qual for o clichê ou “filosofia lírica” para descrever a liderança, percebo que na prática isso nem sempre é verdadeiro. Líderes são seres humanos, eles estouram, têm sentimentos e sua paciência tem limites.

Por isso, não gosto da ideia de líderes perfeitos, “tão seguros” a ponto de saírem dando palestras sobre como liderar. Pior é quando ficam presos à teoria literária ou aos exemplos de contos românticos, tão perfeitos que é quase impossível não se apaixonar.

Ao longo dos meus 46 anos fui liderado diversas vezes, assim como busco liderar no meu ofício. Nunca alcancei o ápice de líder perfeito, nem completo. Percebo a cada dia minhas fragilidades e, quanto mais lidero, mais descubro as falhas e melhorias a buscar. E acredito ser esta uma sensação eterna, pois um líder nunca fica pronto.

O artigo de hoje quer trazer à reflexão a tarefa de compreender líderes e liderados. Colocar-se no lugar de ambos ajuda a compreender melhor nossas emoções, razões e atitudes. As circunstâncias, às quais somos submetidos no cotidiano, interferem muito no enredo de competências e comportamentos.

Já tive líderes bonzinhos, que não conseguiam cobrar e, sequer, dar um não. Eu sofria e me incomodava com a falta de pulso que, muitas vezes, levava à improdutividade, indisciplina e até intrigas. Colegas chegavam a pedir demissão pelo desgosto da falta de posição, pois reinava a malandragem e a esperteza. E, quando alguém colocava o “pau na mesa”, panos quentes apareciam para acomodar a situação. São exemplos dos quais não tenho boas lembranças, pois via o resultado ruir e, por vezes, colegas se queixavam das frustrações e decepções. Em casos mais extremos, vi pessoas perderem o entusiasmo, diante de indecisões crônicas.

 

Também tive líderes duros, quase soando arrogantes ou impiedosos. De fato eram firmes. Foi com estes que mais aprendi e evoluí. Ainda que não concordasse com algumas atitudes ou comportamentos, percebo que foi deles que obtive os melhores aprendizados, seja no profissional ou pessoal. Fossem eles professores, amigos, chefes ou colegas.

Quantos de nós odiaria ou desconsideraria o ensinamento dos pais, não fossemos reconhecer as lições duras e amargas, muitas vezes. Aliás, pais fracos e omissos, igualmente, criam filhos rebeldes, mimados, sem rumo e sem causa, para dizer o mínimo.

Me incomodo como o “mimi” que alguns tentam impôr nas corporações ou mesmo na sociedade. Vejamos a tragédia na política. Temos o hábito lamentável de aplaudir o bonzinho, aquele de fala mansa, que não se indispõe com ninguém. Adoramos o político que faz “média” para não perder voto.

Diferente, o político indignado, que se choca com o status quo, é visto como rompante, arrogante e crítico demais. O resultado já conhecemos: sucessivos governos fracos, mornos, quando não corruptos. Nas empresas, entidades e até na família, esta realidade não é diferente.

Eu imagino como seria acompanhar líderes épicos como Salomão, Davi, Alexandre O Grande, ou os mais recentes, como Henry Ford, Margareth Tatcher, Abraham Lincoln, Steve Jobs e tantos outros, cujos ideais e atitudes de coragem e enfrentamento inspiram até os dias atuais.

A literatura sobre liderança, muitas vezes, é obra de quem nunca liderou na prática. Via de regra traz exemplos ou contos autobiográficos, relatando sempre o lado “perfeito” da liderança. Parece feio, ou pouco atraente, reconhecer erros e falhas por parte de quem “não pode cometê-los”.

Um líder firme pode soar prepotência, e nem sempre é compreendido pelos demais, principalmente pelos liberais. Geralmente ele é criticado. Óbvio, o respeito é incondicional.

Pessoalmente, não ligo para preconceitos. Na minha trajetória de líder ou liderado sempre busquei assumir minhas fraquezas e responsabilidades. Reconheço a necessidade constante de evoluir, mas não me rendo ao clichê do “politicamente correto”. Escolho aprender com meus colegas, me esforço para acertar, mas me permito errar. Não acredito na perfeição de um líder, repito.

Líder desenvolve, se indispõe, cobra e mostra caminhos. E uma coisa é certa: as pessoas preferem seguir os fortes, seguros e verdadeiros. A história mostra isso.

Sócrates, Platão e Jesus Cristo são exemplos de líderes contestados no seu tempo. Passaram longe de serem unanimidade enquanto terráquios. Ainda que resiliência e empatia sejam fundamentais, um líder precisa mais do que isso.

Portanto, qual é o tipo de líder que admiramos, seguimos ou queremos ser?
Bom fim de semana a todos!