O equilíbrio indispensável

opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

O equilíbrio indispensável

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Lajeado

O termo lockdown ganhou notoriedade (e causa pavor) com a covid-19. Fui ver o que é: “expressão que significa confinamento ou fechamento total. É o método mais radical imposto por governos para fechar uma região, interditando vias, proibindo deslocamentos, viagens e serviços não essenciais”.

Tenho presentes duas visões do lockdown de Pelotas imposto pela prefeita, último fim de semana. Uma, de um vídeo mostrando a cidade do alto, ruas desertas, ouvindo-se apenas o latido de um cachorrinho e uma sirene. Fantasmagórico. Outra, de um vídeo que também impressiona: carros da guarda municipal e da Brigada Militar, à noite, sirenes e luzes de alerta ligados, abordando os que ousaram sair à rua. Enfim, um toque de recolher no melhor dos estilos. Telefonei a um amigo de Pelotas para saber os motivos desta atitude. Pasmem: a cidade dispõe de apenas 30 leitos de UTI, com 27 ocupados. Mesmo com duas universidades e recebidas dezenas de milhões de recursos federais, nestes cinco meses pouco teria sido feito para melhorar a estrutura da saúde. E população e empresas é que foram penalizadas para evitar o caos. Má gestão. Felizmente prefeitos e lideranças do Vale do Taquari têm agido de forma diversa.

É bom o lockdown de Pelotas nos alertar para um possível lockdown econômico e social. Expressão com que defino o cerceamento que pode nos ser imposto por outras mazelas, também dolorosas, decorrentes de uma gestão equivocada da pandemia, tais como: inflação galopante – PIB negativo – fome – instabilidade política e social – insegurança jurídica, etc. Porta aberta ao totalitarismo de direita ou de esquerda, da perda da liberdade de ir e vir, de ser e de viver, por décadas.

Daí que a busca do equilíbrio é indispensável e deve ser induzida e exigida por nós cidadãos e entidades. Induzir o político (os maus são tentados por um lockdown institucional, ao verem, assim, o poder mais à mão), induzir os grandes investidores (o desequilíbrio abre-lhes oportunidades fantásticas de ganhos). A riqueza de poucos pode ser a miséria de muitos. Induzir os governantes (cobrar o cumprimento do Programa de Governo que os elegeu), a mídia (devido ao poder de formação de opinião), nossas entidades (que cumpram seu papel representativo), induzir a nós mesmos a um procedimento digno. E, buscar na educação a base de tudo.

Como obter e manter este equilíbrio indispensável? Quanto à covid, aprimorar o Programa Estadual. Já melhorou, mas, nesta semana ainda tivemos 59.3% da população sob bandeira vermelha. Ideal, baseá-lo em regras mais claras de medidas de distanciamento e, aí, cobrar, responsabilizar e multar quem descumpri-las. Quanto à atividade econômica, viabilizar seu funcionamento ao máximo: evitará novos desempregados, irá repor empregos perdidos, recuperará empresas, injetará o dinheiro vital na economia, dando, assim, a indispensável sustentabilidade aos indicadores econômicos atuais que, felizmente, ainda são bons. Também, parar com esta polarização idiota, a qual já não é entre direita e esquerda, mas de bons versus maus brasileiros.

Por fim, enfrentar uma carência da maior relevância: a volta urgente do funcionamento pleno do Judiciário, Órgãos Estaduais e Federais. Advogados, contadores, população e o funcionamento do Estado não podem prescindir do Judiciário, que é um dos três Poderes. Executivo e Legislativo estão funcionando. Apenas os processos digitalizados têm alguma tramitação. Pois, 85% dos processos que tramitam no Judiciário, não são digitalizados. Igualmente, os Cartórios. O horário reduzido com que funcionam não satisfaz e provoca aglomerações indesejáveis. A busca do indispensável equilíbrio é responsabilidade de todos.