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Beleza sustentável

Cosméticos naturais, veganos e orgânicos possibilitam autocuidado com mais saúde e consciência

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Beleza sustentável

Inúmeras são as razões de quem escolhe um estilo de vida mais sustentável. Da alimentação aos produtos de beleza e higiene, busca-se cuidar da saúde e bem-estar de forma saudável, com consciência e respeito com o meio ambiente, amor aos animais e responsabilidade social.

Enquanto cursava mestrado em Biotecnologia em Saúde, Stéfani Natali Stoll, 28, teve o primeiro contato com os cosméticos orgânicos. “Me encantei e decidi, em paralelo ao mestrado, iniciar minha segunda graduação, em Farmácia, para poder agregar saúde aos cosméticos”.

Com o término da pós-graduação em 2017 e o incentivo da família, decidiu abrir o próprio negócio, uma loja voltada aos cuidados com o corpo de forma sustentável. Localizado em Lajeado, o empreendimento já completou dois anos e é pioneiro na região em cosméticos naturais, orgânicos e veganos.

Poder aliar saúde, beleza e consciência ambiental e social também motivou Natália Gabriela Guillante Wiebbelling, 23, a substituir o uso dos produtos convencionais em sua rotina de cuidados. “Aos poucos, fui experimentando o que era melhor para o meu corpo e ampliando o conhecimento, para consumir o essencial e de empresas que beneficiam as pessoas e a natureza”.

Entre os pontos positivos da mudança, Natália percebeu melhor absorção dos produtos pela pele e a potencialização de suas funções, o que não notava em produtos convencionais. “Quanto mais estivermos em sintonia com os processos da natureza, mais saudável e fluido será o nosso viver. Escolhi esse caminho por sentir que assim poderia colaborar para um mundo com mais amor e conexão”.

Melhor para o corpo e para a natureza

Conforme Stéfani, os cosméticos sustentáveis causam menos danos aos ecossistemas, uma vez que são produzidos com ingredientes naturais e biodegradáveis, geram menos resíduos e, muitas vezes, rendem mais que um produto convencional, o que também garante economia a curto prazo. Outra vantagem é a versatilidade. “Um sabonete, por exemplo, também pode ser utilizado como shampoo sólido”, explica.

Os cosméticos naturais, na maioria das vezes, também são considerados hipoalergênicos, por não possuírem componentes que costumam provocar reações alérgicas, como fragrâncias, corantes e conservantes artificiais, destaca a biotecnologista. Estes produtos ainda costumam utilizar de embalagens biodegradáveis ou retornáveis, acrescenta.

Hoje já é possível encontrar opções para todas as necessidades, desde desodorantes, pasta dental, hidratantes, máscaras, shampoo, sabonetes, esmaltes, maquiagens e até perfumes.

Além disso, também cresce a variedade de outros itens ecológicos disponíveis no mercado, como absorventes e fraldas de algodão reutilizáveis, coletores menstruais, canudos de inox, escova dental e talheres de bambu, entre outros, destaca.

Natural, vegano ou orgânico?

Stéfani explica que um produto é considerado natural quando, em sua composição, contenha ingredientes naturais, como extratos vegetais e óleos essenciais. Por sua vez, um produto orgânico é aquele que possui, no mínimo, 95% de ingredientes livres de agrotóxicos, organismos geneticamente modificados ou irradiados.

Para um cosmético ser considerado vegano, não deve possuir ingredientes de origem animal, nem envolver nenhum processo de crueldade na  produção, como não testar em animais e ter fornecedores de matéria-prima com rastreabilidade.

Desta forma, todo cosmético orgânico é natural, mas o oposto nem sempre ocorre. Além disso, nem todo cosmético vegano é considerado natural, pois mesmo não testado em animais, ainda pode conter substâncias como fragrâncias, corantes artificiais e metais pesados em sua composição. Na maioria das vezes, o cosmético natural é vegano, salvo exceções, quando contém derivado como mel, leite ou colágeno não vegetal, por exemplo.

Para mudar de vida

Conforme Stéfani, a substituição de produtos convencionais e por versões sustentáveis deve ocorrer de forma gradual, caso a mudança não seja motivada por alergias. A transição pode provocar efeitos que precisam ser respeitados, mas que se normalizam com o tempo.

Ao substituir o desodorante convencional para um livre de sais de alumínio, por exemplo, é possível que o volume de suor aumente durante a primeira semana, pois o organismo percebe uma porta que antes estava bloqueada e tenta liberar tudo de uma vez, mas depois normaliza, destaca.

“O suor não possui cheiro, o que causa o mau odor são bactérias na região da axila, que degradam os sais minerais que liberamos no suor. Por isso, não precisamos bloquear as glândulas, mas tratar a causa”.

Ao abraçar o processo de substituição dos cosméticos convencionais por versões ecológicas, Natália passou a repensar também outros hábitos de consumo, entre eles reduzir as compras e reutilizar itens, como transformar peças, comprar em brechós e escolher produtos que, após utilizar por um tempo, poderá doar.

“Busco ampliar minha consciência sobre esses processos, comprar local e  incorporar outras formas sustentável de viver, como o minimalismo, o lixo zero, a produção orgânica de alimentos, o veganismo, e a cura física e emocional por meio das plantas”.

Natália nota que suas escolhas despertam interesse também das pessoas próximas dela, que percebem os benefícios de estar em sintonia com a natureza e a importância de fazer escolhas conscientes, que beneficiem a sociedade, a economia e o meio ambiente. “Acredito que a natureza nos nutre por completo e, por isso, tento ampliar o cuidado e a conexão com ela”.