Craques do Vale

“Sou muito grato ao Lajeadense”

Morando em Lajeado desde 2009, Mário Sérgio de Almeida, o “Serginho” é o atual treinador do clube e projeta o retorno para a primeira divisão do Gauchão

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“Sou muito grato ao Lajeadense”
Foto: Caco Marin/Divulgação Lajeadense
Lajeado

O paranaense Mário Sérgio de Almeida, o “Serginho” se encontrou em Lajeado. Natural de Medianeira, no Paraná, reside no Vale do Taquari desde 2009. Na região se tornou ídolo do Lajeadense. Atualmente é treinador do alviazul e tem como objetivo recolocar o time na primeira divisão.

Entre idas e vindas do Juventude, Serginho jogou na Chapecoense

Serginho deu os primeiros passos no Matsubará. Antes de vir para o Rio Grande do Sul, ainda passou pelo Medianeira Esporte Clube, clube da cidade natal. A convite de um empresário, veio para o RS fazer um teste no Juventude. Aprovado permaneceu no clube da Serra onde viveu momentos gloriosos.

Na equipe da Serra foi campeão da Copa do Brasil, do Gauchão. Disputou Libertadores e Brasileirão Série A. “Hoje tenho meu nome e minha foto nos corredores e paredes do Alfredo Jaconi. Estou na história do Juventude”, relata emocionado.

Engana-se quem pensa que o começo foi fácil. Com um elenco cheio de estrelas e com investimentos da Parmalat, Almeida contou com o apoio dos treinadores que passaram pelo clube no período, como Geninho, Leão e Tite. “Se não fosse o Juventude, hoje não se teria o Lajeadense.”

Peregrino

No Juventude ficou por sete anos. Nesse período deu algumas saídas, atuou uma temporada no XV de Novembro, de Campo Bom, outra na Chapecoense e teve uma experiência ruim no Peru. No país vizinho, chegou com um contrato de empréstimo de três meses, com um acordo preestabelecido para ficar por mais três anos, mas a chegada ao clube foi conturbada. Além de Almeida, outro jogador do Juventude foi junto no pacote, mas a direção quis apenas Serginho. Foi quando começou uma briga de empresários e Almeida ficou todo o período sem receber e quase sem jogar. “Ninguém pensou na minha família e história, só pensaram no dinheiro.”

Depois dos três meses, voltou para o Juventude. Com o fim do contrato em 2001, começou a peregrinar por vários clubes, ganhando o apelido de “rei do acesso”, por ter ajudado a colocar sete clubes na primeira divisão do Gauchão, entre eles, Brasil de Pelotas, Ulbra, São José, Novo Hamburgo, São Gabriel, Porto Alegre e Lajeadense.

Jogador foi campeão da segunda divisão do Gauchão com a Ulbra

Bra-Pel

Uma história curiosa aconteceu quando defendeu as cores do Brasil, de Pelotas. Antes de acertar com o Xavante, tinha praticamente assinado contrato com o Pelotas, maior rival. O anúncio com o Pelotas saiu na imprensa e na mesma manhã estava assinando com o Brasil. A confusão se deu por um desacerto entre diretores. “Um me contratou e o outro queria um novo nome. Então me liberaram e eu assinei com o Brasil.”

O primeiro jogo com a camisa xavante foi o clássico Bra-Pel. “No clássico o pessoal levou moeda para jogar em mim, mas não sabia da história que aconteceu (risos). Conseguimos vencer o jogo e fui premiado como o melhor jogador da partida.”

Chegada ao Lajeadense

A história no Lajeadense foi por um acaso. Em 2009, a convite de Florindo Ghidini, preparador físico do clube, veio visitar a cidade. “Eu estava em um momento crítico no casamento. Então aproveitei o convite para passear e colocar as coisas em ordem.”

O passeio decidiu o rumo da vida de Almeida. Após conhecer as pessoas que estavam envolvidos no projeto e a cidade, Paula Almeida, esposa de Serginho, decidiu que ali ficariam. “Recusei propostas muito melhores do Ypiranga, Inter-SM, São Paulo, do futebol mexicano, mas não me arrependo da decisão.”

O período de adaptação em Lajeado não foi fácil. A preparação para a Divisão de Acesso iniciou com derrota por 4 x 1 para o Estudiantes, clube amador de Lajeado. Foram sete derrotas seguidas na competição. “Eu chorava de raiva todos os dias.”

Decidido a ir embora e aceitar a proposta feita por Luis Carlos Winck, Almeida entrou em campo para última partida que iria fazer com a camisa do Lajeadense. O jogo terminou com a vitória do alviazul por 6 x 1 em cima do Atlético Carazinho. “Aquela goleada foi muito importante. O vestiário do pós jogo me lembrou dos momentos gloriosos que vivi no passado. Quando cheguei em casa avisei a minha família que ficaríamos.”

A partir desse jogo, o clube cresceu e emplacou quatro vitórias seguidas. No segundo semestre, foi semifinalista da Copa RS. “Foi algo maravilhoso, o mesmo time que foi contestado pela torcida deu a volta por cima, trocou cinco peças e subiu de divisão um ano depois. É algo inexplicável.”

Sobre a campanha do acesso. Almeida destaque que o time assimilou o projeto proposto e que a direção soube escutar os atletas. “A gente sabia que ia subir, pois todos os times eram grandes grupos mas não tinham passados por perrengues igual aos nossos.”

Para ele ter participado do projeto foi maravilho, além disso destaca a família que foi criado. “Após os jogos íamos jantar e todos se faziam presente. Até os familiares dos diretores. “ Isso não se faz várias vezes, isso só se faz uma vez e foi o que aconteceu em 2010.”

Aposentadoria nos gramados

“O que eu não queria aconteceu, passei a gostar de Lajeado”, essa afirmação de Almeida relata tudo o que viveu na cidade. Dois anos depois de chegar no Lajeadense, o então volante ganhou o convite para aposentar as chuteiras e virar treinador na base. “No começo não quis, então liguei para vários treinadores com quem trabalhei e me fizeram aceitar a proposta.”

Ele cita uma conversa com o já falecido Valmir Louruz. “Ele me disse que nem sempre bons jogadores vão ter as oportunidades que eu estava tendo e me mandou agarrar ela. Foi o que fiz, e sou agraciado por ser treinador do Lajeadense.”

Vida de treinador

Até chegar na base, Serginho ainda passou um período como olheiro do time profissional e também na comissão técnica dos treinadores em 2012 e 13. Em 2014 assumiu a categoria júnior, onde fez excelentes trabalhos, sendo inclusive vice-campeão da Copa Sub 19, perdendo a decisão para o Internacional. Desde aquela campanha, Almeida integra a comissão técnica permanente do Lajeadense. “O trabalho foi me preparando para assumir o profissional. Desde que assumi tivemos poucas derrotas em casa e fora de casa.”

Atualmente treinador, sente saudade de quando era atleta profissional, o que considera uma tarefa mais fácil. “Ficar na beira do campo, olhar os 11 jogadores atuando e ver que eles não conseguem reproduzir o que treinaram a semana toda é terrível. Não perco cabelo pois corto bem curtinho (risos).”

Futuro

Com propostas interessantes de outros clubes, optou por ficar em Lajeado em virtude do trabalho social que realiza na comunidade. Outro motivo que o fez seguir no Lajeadense é a ambição de colocar a equipe na primeira divisão. “Eu tenho a capacidade de ser um bom treiandor e isso só vai acontecer com o tempo. Eu primeiro preciso vencer com o lajeadense para tentar buscar outro lugar.”