opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Eleições municipais ameaçadas!

Por

Vale do Taquari

Tudo está ameaçado diante da pandemia e da histeria causada pelo novo coronavírus. Essa é a verdade imposta. E neste bolo de incertezas está o pleito municipal agendado para outubro. A cinco meses do prazo oficial de início das campanhas eleitorais, a possibilidade do Congresso aprovar o adiamento das eleições ganha força nos bastidores da política. Para muitos, é puro oportunismo. Para outros, a única saída para resguardar a democracia e a saúde pública.

Nessa semana, o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta endossou o coro de quem é favorável ao adiamento. A preocupação dele é a de que interesses eleitorais atrapalhem a contenção do novo coronavírus. É compreensível. Afinal, ninguém consegue imaginar uma campanha sem o tradicional corpo a corpo dos candidatos com o povo, além de todos os encontros e aglomerações naturais do dia da votação.

O adiamento, porém, está longe de ser consenso no congresso e também entre prefeitos e vereadores. Como bem disse um prefeito da região – que não concorrerá à reeleição –, “quem está dentro quer continuar, e quem está fora quer entrar”. E isso é um risco. Sendo assim, a queda de braço tende a ser muito mais política do que técnica. O que é algo natural nesse nosso Brasil de céu anil.

Em caso de suspensão, duas alternativas são avaliadas. A primeira é unificar o pleito municipal com as eleições para presidente e governador, agendadas para outubro de 2022. A outra possibilidade é o adiamento por um período entre 60 e 90 dias. Para o bem ou para mal, o debate está na mesa e vem incomodando líderes partidários da região. E isso ocorre justamente no mês de março, durante a janela de transferências de agentes entre os partidos.


Solidariedade

O mundo está mudando. E o brasileiro também. Diferente da primeira semana de apreensão geral em torno do coronavírus, quando a disputa pelo famigerado álcool gel causou situações constrangedoras – excesso de produtos por clientes, principalmente –, os últimos dias têm apresentado uma série de boas ações voluntárias, com ou sem destaque nas mídias.

Solidariedade II

As recentes doações para os hospitais da região também demonstram o espírito solidário de muitos empresários do Vale do Taquari. Produtos de higiene e alimentação abastecem os pontos de maior importância para a sociedade neste momento conturbado: as casas de saúde. É um alento necessário para este momento de incertezas e apreensão entre todos.

Solidariedade III

Gerente de Engenharia e Manutenção da Univates, Robledo Müller iniciou uma campanha virtual no site Vakinha. O objetivo é arrecadar fundos para comprar produtos de higiene básica para famílias carentes. A meta é arrecadar R$ 10 mil. Já os torcedores gremistas do grupo Borrachos de Lajeado (foto) distribuíram marmitas para garis e caminhoneiros.

Solidariedade IV

Ainda em Lajeado, o Fórum das Entidades Empresariais e Sociais organiza vaquinha virtual no site Abacashi (O Vale do Taquari contra o Coronavírus). Os valores serão recebidos pela JCI Lajeado e destinados conforme a necessidade apontada pelo Comitê Gestor de Crise. Pouco menos de R$ 600 foram arrecadados até ontem. A meta é arrecadar R$ 100 mil.


Política virtual

A segunda-feira foi inusitada em Marques de Souza. A Câmara de Vereadores foi pioneira no Vale do Taquari ao realizar uma sessão virtual por meio do aplicativo Whatsapp. Hoje, será a vez da Câmara de Progresso realizar encontro semelhante. Já em Lajeado, os vereadores ainda avaliam se a sessão de amanhã será pelo grupo no WhatsApp ou se todos já estarão “familiarizados” com a ferramenta Hangouts Meet. Os testes já iniciaram, como bem mostra a foto enviada pela vereadora Mariela Portz (PSDB).


Muita calma nessa hora 2

É compreensível que muitos infectados sigam no anonimato. Nas redes sociais (claro), vi mensagens ameaçadoras. “Mandem de volta para lá”, comentou uma internauta sobre um paciente que estava na Europa. “Por que vieram para cá?”, questionou outro leitor. São posicionamentos que em nada ajudam neste momento de apreensão geral.
Porém, estamos diante de uma situação absolutamente inédita. E as reações são diversas. Em Lajeado, por exemplo, moradores de um prédio reagiram mal à informação de que alguns vizinhos estão com suspeita e até confirmação de contágio pelo novo coronavírus. Eles queriam saber de antemão para, assim, retirar pessoas idosas do referido imóvel.