Estrela

Doutor Oswaldo Feier: um homem além da medicina

Clínico Geral morreu de causas naturais na manhã do último sábado no Hospital

Por

Doutor Oswaldo Feier: um homem além da medicina

O ano era 1953 quando Ilse Spohr, 88, conheceu o médico recém-chegado na cidade Dr. Oswaldo Feier. O filho Luis Fernando, hoje com 66 anos, tinha comemorado há pouco tempo o primeiro aniversário quando foi acometido por uma forte tosse.
Lajeado tinha poucos médicos na época. Foi pela indicação de seu pai que Ilse, mais conhecida como Kitty, foi no consultório do Dr. Feier em busca de socorro pelo filho.
 
“Sua criança está com Crupe (infecção das vias aéreas superiores que bloqueia a respiração e causa uma tosse forte)”, disse Feier.
Assim que soube da doença, Ilse preocupou-se que o crupe pudesse interromper as vias aéreas do filho, podendo até causar o pior.
“Naquela época, quem tinha crupe era isolado na internação hospitalar. Sou muito grata ao Feier, ele salvou a vida do meu filho”, lembra.
 

Sexto sentido

 
Anos depois de socorrer o filho de Kitty, uma doença assolou o fígado da tia Cecília. Quando consultada por Feier ele disse de pronto.
 
“Seu caso não é para cirurgia. Tome os remédios e cuide da alimentação”, relembra ela do diagnóstico do médico para a tia.
Porém, Cecília insistiu em passar por um procedimento cirúrgico, já que uma amiga sua havia obtido êxito enfrentando a mesma doença no fígado.
 
Com seu jeito rápido de caminhar que lhe era marca, Feier passou pelo corredor do hospital e encontrou Kitty em frente a um quarto.
“O que houve? Sua tia fez cirurgia no fígado”, perguntou Feier
“Sim”, respondeu Kitty.
“Infelizmente ela vai morrer”, avisou Feier.
Segundo Kitty, que foi sua paciente por anos, Oswaldo Feier tinha um “sexto sentido” além da medicina.“Minha tia acabou falecendo. Se tivesse ouvido Dr. Feier, poderia ter vivido ainda muitos anos. Ele era um homem muito bom. Um excelente médico. Sinto que por vezes Lajeado não esteve a altura de um profissional tão exímio quanto ele”, conta Kitty.
 

Legado

 
Feier morreu de causas naturais aos 92 anos nesse sábado, dia 26, no Hospital Estrela. O velório ocorreu na Capela C do Florestal. No domingo, o corpo foi levado para Novo Hamburgo, onde foi cremado. Feier deixa sete filhos.
Natural de Palmeiras das Missões, mudou-se para Lajeado depois de formar-se no curso de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no início da década de 1950.
 
Junto de outros médicos da cidade, foi um dos fundadores da Unimed Vale do Taquari e Rio Pardo, em 11/12/1971.
Atuou sem seu consultório médico nas especialidade de Clínica Geral de Medicina do Trabalho até 30/04/2009, período em que jubilou-se da cooperativa.
“Guardo na memória um grande companheiro, um excelente pai e um exemplo de homem”, diz a esposa de Feier, Maristela, que conviveu com o médico por quase 50 anos.
 
Segundo ela, sua maior admiração pelo marido era por sua capacidade profissional de olhar o próximo sem fazer distinção.
“Sempre cuidou de todos com muito carinho. Sem hora e sem dia, estava sempre à disposição”, relembra.
Feier também lecionou enfermagem no Colégio Madre Bárbara. O salário que ganhava como professor era doado às alunas que não tinham condições de pagar mensalidade. Além disso, quando percebia que um paciente não tinha condições financeiras, não negava ajuda.
 
“Sempre prevaleceu a vontade de ser médico, independente do dinheiro”, relata Maristela.
Sem conter as lágrimas, o filho do médico Oswaldo Feier Filho conta que por diversas vezes, o pai saía de casa, indiferente do que estivesse fazendo, para atender seus pacientes.
 
“Meu irmão Gustavo acabou se tornando mestre em churrasco, de tantas vezes que meu pai teve que sair de casa para atender pessoas. Generosidade sempre foi sua bandeira. Não teve pessoa com problema de saúde que se aproximou de meu pai sem sair atendida”, relembra.
 

CRISTIANO DUARTE – cristiano@jornalahora.inf.br