Da bola ao bolo

Doçuras

Da bola ao bolo

Durante pouco mais de um ano, entre os 17 e 18, o contador Dilson Roberto Scherer, 53, jogou nas categorias de base do Internacional. Nesse período, morou na concentração com nomes como Dunga e Luiz Carlos Winck. Porém, não era…

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Da bola ao bolo
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Durante pouco mais de um ano, entre os 17 e 18, o contador Dilson Roberto Scherer, 53, jogou nas categorias de base do Internacional. Nesse período, morou na concentração com nomes como Dunga e Luiz Carlos Winck.

Porém, não era fácil para um rapaz tímido de Marques de Souza se adaptar ao ritmo de cidade grande nos anos 80. Foi quando percebeu que, se seu destino era bater um bolão, isso se referia à confeitaria, não ao futebol. Quem já viu (e provou) o que ele produz na Oficina do Bolo, confirma.

Filho de Lothário e Leoni, os donos da padaria Dilex, em Marques, Scherer foi criado no meio em que escolheu trabalhar mesmo após se formar em Ciências Contábeis. “Eu nasci dentro de uma padaria”. O nome do estabelecimento, aliás, era uma junção dos nomes dos filhos do casal: Dilson e Alexandre.

De volta ao negócio familiar, aos 25 anos, ajudava tanto colocando a mão na massa, quanto na parte administrativa – aplicando o que aprendeu na faculdade e a experiência de quatro anos em um escritório de contabilidade – e fazendo vendas. Além de padaria e mercado, a Dilex também incluía linha produtiva.

Ele voltou a Porto Alegre, dessa vez para vender biscoitos coloniais. Lembra que foram uma das primeiras fabriquetas da região a abastecer a capital. Além dos amanteigados, a marca Dilex também fez muito sucesso com o pão longa vida e as bisnaguinhas, desenvolvidas por Scherer. “Na época, só a Seven Boys fazia. A nossa bisnaguinha era mais doce. A da Seven tinha mais gosto de fermento”.

A cuca que ele fazia também era um estouro de vendas. “Era uma cuca fofa. Tinha volume, era vistosa, e era doce, amanteigada. Durava 10 dias. Hoje tu compra uma cuca, em dois dias já está seca”. Além disso, Scherer fazia a instalação de máquinas de biscoitos desenvolvidas pelo pai.

O auge da Dilex se deu nos anos 90, quando a família construiu um prédio de três andares. A Dilex abastecia mais de 200 mercados em diversas partes do estado, e chegou empregar 25 pessoas. Após 25 anos no empreendimento familiar, porém, Scherer decidiu abrir o próprio negócio. Desta vez, em Lajeado, onde mora desde a juventude.

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OFICINA DO BOLO

Seu novo objetivo era trabalhar sozinho. A Dilex ficou sob administração do irmão, que trocou a marca para Dannona – empreendimento até hoje situado naquele ponto da rua Getúlio Vargas.

No início, Scherer usava a garagem de casa, no Alto do Parque, para produzir mais de mil pacotes de biscoitos por semana e abastecer uma fábrica de Santa Clara do Sul. Foram oito anos nesse ritmo, até ele decidir que era hora de trabalhar com produtos de maior valor agregado.

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Assim, surgiu a Oficina do Bolo, em 2014. A garagem foi reformada e se transformou em uma cozinha. O foco era trabalhar com bolos decorados com pasta americana. Hoje, o catálogo é variado. Porém, ele não queria oferecer aqueles que todo mundo fotografa, mas ninguém come. “Criamos um proposta assim: tem que ser bonito, mas tem que ter sabor”.

Para isso, Scherer trabalhou dois anos no desenvolvimento de uma pasta americana própria. Ao contrário da industrializada, a pasta usada na Oficina não leva gordura hidrogenada.

Já os adornos ficam por conta de sua esposa, a professora Rosana Bathke Scherer, 50. “Eu só decoro. A gente brinca que eu sou cake designer. Para mim, isso é uma terapia”.