Safra de milho deve crescer 12,9% no Vale do Taquari

EXPECATIVA rural

Safra de milho deve crescer 12,9% no Vale do Taquari

Previsão de chuva acima da média, bom desempenho e demanda estimulam avanço da cultura

Safra de milho deve crescer 12,9% no Vale do Taquari
Excesso de umidade presente no solo nas últimas semanas retardou preparos do solo e posterior semeadura do milho na região. (Foto: Estevão Heisler)
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Agro 360
Vale do Taquari

A área de milho deve crescer 12,9% no Vale do Taquari na safra 2026/27, passando de 75.537 para 85.285 hectares segundo projeções da Emater/RS-Ascar. O avanço resulta da combinação entre a expectativa de um período mais chuvoso, o bom desempenho obtido pela cultura na última safra e uma demanda considerada favorável. A projeção regional supera o crescimento de 7,4% estimado para o RS.

Do total previsto para a região, 31.340 hectares serão destinados à produção de milho para grão, alta de 9,3%. Para a silagem, a área deve passar de 46.852 para 53.945 hectares, crescimento de 15,1%.

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A perspectiva de atuação mais intensa do El Niño na primavera e no início do verão é um dos fatores que influenciam a decisão dos produtores. O fenômeno deve elevar o volume de chuva durante o período de implantação das culturas de verão. “O milho demanda muito recurso hídrico e o pessoal acaba apostando em um ano que tem previsão de mais chuva”, afirma o engenheiro agrônomo do escritório regional Emater/RS-Ascar, Alano Tonin.

A condição climática, contudo, não representa garantia de melhores resultados. Chuva em excesso, quando concentrada em períodos curtos, pode dificultar o acesso às lavouras e prejudicar o desenvolvimento das plantas. Ainda assim, o cenário tende a ser mais favorável ao milho do que um período marcado por estiagens.

Outro fator que pesa na decisão é o resultado obtido na temporada anterior. O bom desempenho do milho reforçou a confiança dos agricultores na cultura.

Plantio com atraso

Apesar da projeção de aumento da área, o início da semeadura ocorre de forma mais lenta em algumas partes do Vale. Nas regiões de menor altitude, onde o milho começa a ser implantado no início de agosto, o excesso de umidade no solo impediu o avanço dos trabalhos em diversas propriedades.

Até o momento a Emater não identifica problemas relevantes nas áreas cultivadas. Como a janela de implantação se estende até janeiro, a estimativa ainda pode sofrer alterações.

Área maior

O crescimento de 12,9% precisa ser analisado também sob outro aspecto. Parte do aumento da área de milho não corresponde à incorporação de novas terras ao cultivo. Em especial na produção de silagem, é comum que a mesma área seja utilizada duas vezes no ciclo.

Nesse sistema, o produtor semeia milho no início de agosto, colhe a silagem em dezembro e, na sequência, utiliza novamente o terreno para uma segunda cultura. Dessa forma, a estatística de área plantada também reflete uma maior intensidade de uso das propriedades.

Em algumas situações, o milho também avança sobre áreas que anteriormente seriam destinadas à soja, principalmente diante das incertezas relacionadas ao excesso de umidade previsto para a primavera.

Soja enfrenta janela apertada

A soja deve começar a ser semeada a partir da segunda quinzena de outubro, quando o El Niño tende a estar mais atuante. A preocupação, diz Tonin, é com a disponibilidade de condições adequadas de solo para a implantação das lavouras.

Períodos prolongados de chuva podem reduzir as janelas de semeadura e dificultar o trânsito de máquinas. Depois da implantação, a combinação entre umidade elevada e menor luminosidade pode aumentar a pressão de doenças.

Por isso, a orientação é iniciar o monitoramento desde o estabelecimento das plantas e manter atenção às condições climáticas.

Demanda

Na Cooperagri, com sede em Teutônia, a procura por sementes de milho também indica maior interesse pela cultura. O diretor da cooperativa, Lício Sulzbach, observa que a tendência de plantar mais milho que soja, já tradicional no Vale, aparece de forma mais acentuada neste ano.

Segundo ele, a demanda por milho é considerada boa, enquanto a procura por soja permanece fraca. A perspectiva de melhora nos preços das duas culturas também contribui para estimular os produtores.

O atraso no calendário, porém, pode limitar a implantação de algumas lavouras. Nas áreas mais baixas, onde o excesso de umidade é maior, ainda existe dúvida. Se o plantio do milho avançar demais no calendário, alguns produtores podem optar pela soja para evitar uma implantação fora do período considerado adequado.

O cenário financeiro também pesa. O endividamento de parte dos agricultores e a dificuldade de acesso ao crédito reduzem a capacidade de investimento e podem limitar o crescimento efetivo da área.

Mesmo com essas restrições, Sulzbach identifica uma procura significativa por sementes de milho. Para ele, a confirmação do cenário climático e o comportamento dos preços nas próximas semanas serão determinantes para definir o tamanho final da safra.

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