Ex-padrasto tinha “controle muito grande” sobre Alice, diz delegada

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Ex-padrasto tinha “controle muito grande” sobre Alice, diz delegada

Delegada Dieli Caumo descarta vicaricídio, revela cronologia da agressão e confirma que perícia não encontrou sinais de violência sexual

Ex-padrasto tinha “controle muito grande” sobre Alice, diz delegada
Wagno Arezi Henika confessou o crime em depoimento após prisão
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Encantado

A delegada Dieli Caumo, responsável pela investigação da morte de Alice Nitz, 14 anos, detalhou em entrevista nesta terça-feira, 1, os elementos que levaram ao indiciamento do ex-padrasto da adolescente, Wagno Arezi Henika, 40, por feminicídio. A autoridade explicou por que o crime não foi enquadrado como vicaricídio, descreveu a natureza do controle exercido pelo investigado sobre a vítima e revelou detalhes da cronologia da agressão, ocorrida em 17 de agosto, em Encantado.

Segundo a delegada, a investigação confirmou que não havia conflito entre Wagno e a ex-companheira, mãe de Alice (fator que descartou o enquadramento do crime como vicaricídio, modalidade em que o agressor mata alguém para atingir a companheira ou ex-companheira). “Pelo relato de diversas testemunhas, inclusive da própria mãe, eles tinham um relacionamento tranquilo, sem conflitos, sem brigas, sem ameaças. Mesmo depois do término, inclusive frequentavam as casas um do outro”, afirmou Caumo.

Controle e posse

A delegada também detalhou a natureza do controle que Wagno exercia sobre a adolescente, apontado pela investigação como possível violência psicológica. Segundo Caumo, o comportamento se dava dentro de uma dinâmica que se assemelhava à relação entre pai e filha, mas de forma excessivamente rígida.
“O que conseguimos concluir é que ele tinha um controle muito grande, uma posse muito grande, era muito possessivo em relação à Alice, mas dentro daquela relação entre pai e filha. Ele queria saber a hora que ela saía, a hora que voltava, tinha que retornar até tal horário, mas de uma forma muito rígida mesmo”, descreveu a delegada.

A entrevista também trouxe detalhes sobre a cronologia do crime. De acordo com a delegada, o intervalo entre a chegada de Alice à casa do investigado e a confirmação da morte foi de poucos minutos.”Ela chegou na casa por volta das 13h05, e a morte aconteceu num período de dez a 15 minutos. Às 13h20, ele já ligou para a cunhada dizendo que tinha matado a menina”, relatou Dieli.

Sobre o que teria motivado a discussão que antecedeu o crime, a delegada afirmou que a investigação não tem outros elementos além do depoimento do próprio investigado. “Não conseguimos chegar a uma conclusão porque temos apenas o depoimento dele sobre essa discussão, não há mais nenhum elemento. Eu não gostaria de abrir essa parte, porque temos só a palavra dele. Para preservar a vítima e os familiares, prefiro não revelar esse conteúdo”.

Sem violência sexual

Questionada sobre o laudo pericial, a delegada confirmou que não foram encontrados sinais de violência sexual e detalhou a causa da morte. “A perícia não encontrou nenhum sinal de violência sexual. A causa da morte foi por esgorjamento, pelas facadas na região do pescoço”, afirmou.

Com o inquérito concluído e encaminhado ao Judiciário, a fase de investigação policial está encerrada. “Agora ele está à disposição do Poder Judiciário. O Ministério Público deve oferecer a denúncia, e o processo segue seu curso”, explicou a delegada.

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