“Em terra de robô, quem tem coração é rei”

Opinião

Henrique Pedersini

Henrique Pedersini

Jornalista

“Em terra de robô, quem tem coração é rei”

Um dos tantos acertos da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) foi trazer, para a convenção realizada em Lajeado, o publicitário e palestrante Walter Longo. Entre tantas provocações, ele deixou uma afirmação que vale para os negócios, mas que também se encaixa perfeitamente em diversos contextos da vida: “Em terra de robô, quem tem coração é rei.”

A frase surgiu em resposta a um pertinente questionamento sobre a interferência da Inteligência Artificial (IA) no mundo dos negócios e no cotidiano. E penso que Longo acertou em cheio.

Sim, é irresistível usufruir de toda a praticidade e eficiência que o ChatGPT e ferramentas semelhantes nos oferecem. Para nós, jornalistas, trata-se de um recurso extraordinário. Mas não subestimem o valor do fator humano nos textos, nos vídeos e, principalmente, nas conexões da vida.

A IA é uma ferramenta. Para quem entende do agro, é como a evolução da antiga plantadeira manual para o maquinário moderno. Ou como a chegada da água encanada, substituindo a necessidade de buscá-la no poço. Saber utilizar essa tecnologia será decisivo. Mas as relações humanas continuarão sendo o ingrediente indispensável para que a receita dê certo — nos negócios e, especialmente, na vida. Com os robôs, sim. Mas também com carne, osso e coração.

Não querendo me meter, mas…

Nesta semana, a senhorita Maria Eduarda completou 10 anos. É minha filha mais velha. Como presente, pediu não apenas um celular, mas um modelo específico, daqueles que ganham uma nova versão a cada pouco tempo. Miguel, o caçula, ouviu a conversa e logo brilhou os olhos, imaginando que poderiam ser dois aparelhos.

A verdade é que não comprei nenhum.

Mas o argumento usado no pedido me fez refletir: “É para ler as coisas da escola, pai.”

É claro que esse não é o único interesse das crianças. Ainda assim, não seria mais prudente concentrar a leitura, nesta fase de alfabetização e formação do hábito, nos livros tradicionais? Daqueles que a gente segura nas mãos, folheia, sente o cheiro… Enfim, vocês entendem ao que me refiro.

Admiro a tecnologia, e sei muito bem da utilidade de tablets, computadores e tantas outras telas para a leitura. Não quero fazer o papel do “saudosista chato”. Mas talvez possamos deixar a leitura predominantemente digital para um pouco mais adiante. Que tal?

Rapidinho

  • Alguns pré-candidatos do Vale têm aproveitado bem os eventos da região neste período de pré-campanha para as eleições de outubro. É importante ocupar espaços, especialmente em encontros como a Convenção da CDL e nas feiras setoriais. Outros têm optado apenas pelo trabalho de bastidores.
  • Deu uma esfriada na história da CPI proposta por Éder Spohr (MDB), na câmara de Lajeado, para analisar as contratações de cargos em comissão (CCs) no Legislativo e no Executivo. Por enquanto, acredito que a iniciativa não emplaca. Pareceu mais como um recado do vereador ao governo. Talvez essa fosse justamente a intenção.
  • Por falar (ou escrever) sobre a câmara de Lajeado, Marquinhos Schefer (MDB) fez questão de esclarecer, na última sessão, que não há ninguém com seu sobrenome indicado por ele trabalhando no Legislativo. O vereador demonstrou incômodo com comentários de bastidores.
  • O prefeito de Roca Sales, Mazinho (PP), demonstra otimismo em relação aos investimentos do Estado na Rota do Pão e Vinho, ligação entre o Vale do Taquari e a Serra por Santa Tereza. O asfaltamento da via, no entanto, depende de um investimento robusto do governo estadual.
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