Coragem de começar

Opinião

Rogério Wink

Rogério Wink

Coragem de começar

Confesso que a inteligência artificial tem ocupado boa parte dos meus pensamentos nos últimos meses. Talvez não pela tecnologia em si, mas pelo que ela representa. Tenho percebido que estamos diante de uma mudança que dificilmente poderá ser ignorada.

Lendo o livro “O Mindset da IA”, de Guilherme Horn, uma das reflexões que mais me chamou a atenção é quem ainda não está experimentando inteligência artificial está perdendo algo valioso: tempo de aprendizado. Não porque a ferramenta seja perfeita ou porque já tenhamos todas as respostas sobre seu impacto, mas porque o conhecimento está sendo construído na prática.

Essa ideia me fez refletir sobre uma característica muito presente nos empreendedores brasileiros.

Vivemos em um país que nunca foi conhecido pela previsibilidade. Desde que me conheço por gente, convivemos com mudanças econômicas, crises políticas, e instabilidades de toda ordem. Para quem empreende, a sensação muitas vezes é de estar construindo um negócio enquanto o terreno muda constantemente.

Naturalmente, isso gera dificuldades e custos. Mas produziu uma impressionante capacidade de adaptação.

Os empreendedores que sobreviveram e cresceram no Brasil aprenderam a agir mesmo sem todas as garantias. Aprenderam a tomar decisões em ambientes incertos. Desenvolveram a capacidade de aprender em movimento. E é exatamente isso que a inteligência artificial exige.

Percebo que muitas pessoas ainda estão esperando o momento ideal para começar. Querem dominar completamente a tecnologia antes de utilizá-la. Querem entender todos os riscos antes de dar o primeiro passo. Mas a realidade é que ninguém sabe exatamente como será o futuro da IA. Estamos todos aprendendo.

Nas pequenas empresas, por exemplo, a inteligência artificial já pode ajudar de formas bastante simples. Um vendedor pode utilizá-la para estruturar uma proposta comercial. Um profissional de marketing pode gerar ideias para redes sociais. Um gestor pode analisar indicadores ou buscar sugestões para resolver problemas do dia a dia. Uma recepcionista pode criar respostas mais eficientes para atender clientes. Não estamos falando de substituir pessoas. Estamos falando de ampliar capacidades.

O que mais me chama atenção é que o maior benefício está no aprendizado. Cada interação ajuda a entender melhor as possibilidades da ferramenta. Cada teste gera conhecimento. Cada tentativa reduz um pouco do medo. O medo de não saber usar.

Mas a história mostra que raramente as empresas ficam para trás por falta de tecnologia. Na maioria das vezes, ficam para trás porque demoraram para aprender a usar na prática.

Por isso, cada vez mais acredito que a discussão não é dominar a inteligência artificial. A discussão é sobre desenvolver a curiosidade para explorá-la.

Estou nesse processo. Tenho mais perguntas do que respostas. Mais curiosidade do que certezas. Mas uma conclusão parece clara: esperar estar totalmente preparado pode significar nunca começar.

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