Avanços no tratamento da AME ampliam perspectivas, mas tempo segue decisivo

um caso para cada 10 mil nascimentos

Avanços no tratamento da AME ampliam perspectivas, mas tempo segue decisivo

Léo Wolschick de 1 ano e 10 meses, portador de Atrofia Muscular Espinhal tipo II, busca acesso a terapia gênica avaliada em mais de R$ 8 milhões

Avanços no tratamento da AME ampliam perspectivas, mas tempo segue decisivo
Família mobiliza uma campanha para ampliar as possibilidades de tratamento e conter a progressão da doença (Foto: arquivo pessoal)
Pessoas e Bem-Estar
Santa Clara do Sul

Léo Wolschick Soares nasceu saudável e apresentou os principais marcos do desenvolvimento infantil dentro do esperado, como rolar, sentar e engatinhar. Nos primeiros meses de vida, seu crescimento seguia o curso considerado normal para a idade.

Mas, quando chegou a fase dos primeiros passos, algo começou a chamar a atenção da família. Atentos a cada nova conquista do filho, Cândida Wolschick e Giovane Espindola Soares perceberam que a evolução motora avançava em um ritmo diferente do esperado. 

Em novembro, a família iniciou acompanhamento semanal com a fisioterapeuta Mariele Caxambú (Crefito-5 90817-F). Apesar do acompanhamento, em janeiro Léo apresentou uma nova regressão motora. “Nesse momento, a fisioterapeuta nos encaminhou para uma neurologista pediátrica”, recorda a mãe.

Entre fevereiro e maio, as perdas tornaram-se mais evidentes. Léo deixou de conseguir subir escadas, permanecer em pé com apoio e dar alguns passos segurando-se. Após uma série de consultas e exames realizados ao longo dos últimos meses, a família recebeu, na quinta-feira, 11, o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo II.

AME tipo II

Conforme a fisioterapeuta, a Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo II é uma doença genética rara e degenerativa que afeta os neurônios motores, causando fraqueza e atrofia muscular progressivas.

Em crianças pequenas, a AME pode dificultar habilidades importantes. Além das limitações motoras, a doença também pode comprometer funções essenciais para a vida, como a respiração, a mastigação e a deglutição.

“A fraqueza dos músculos respiratórios é uma das maiores preocupações. Com a progressão da doença, a criança pode apresentar dificuldade para tossir e eliminar secreções. Em casos mais avançados, pode haver necessidade de suporte ventilatório”, ressalta.

Fisioterapia

Hoje, a rotina de Léo já inclui sessões semanais de fisioterapia e natação. Com a confirmação do diagnóstico, o tratamento será ampliado e passará a envolver uma equipe multidisciplinar.

No caso de Léo, o tratamento terá como foco a preservação de funções motoras e respiratórias essenciais para sua qualidade de vida. O acompanhamento busca manter o controle de tronco, as reações posturais, a mobilidade articular, a força muscular e a independência funcional nas atividades do dia a dia. Na área respiratória, o trabalho é voltado à manutenção da capacidade pulmonar, da mobilidade torácica e da eficácia da tosse.

“É importante compreender que, na AME, muitas vezes o maior ganho não está apenas em adquirir novas habilidades, mas em manter aquelas que a criança já conquistou. Preservar a capacidade de sentar, brincar, alimentar-se ou respirar com mais eficiência representa uma vitória para a criança e sua família”, salienta.

Tratamento medicamentoso

Apesar da gravidade da doença, os avanços da medicina têm transformado o prognóstico de muitas crianças com AME. Na quinta-feira, 18, Léo recebeu a primeira dose de Risdiplam, medicamento que aumenta a produção da proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores.

Segundo a família, o objetivo do tratamento é evitar novas perdas motoras e retardar a progressão da doença. Ainda assim, a esperança permanece voltada ao Zolgensma, terapia gênica considerada uma das principais alternativas terapêuticas para crianças diagnosticadas nos primeiros anos de vida.

Com custo estimado em mais de R$ 8,6 milhões, o medicamento está entre os mais caros do mundo. A corrida contra o tempo é um dos principais desafios enfrentados pela família. Estudos indicam que a terapia apresenta melhores resultados quando administrada precocemente, antes que a doença provoque perdas irreversíveis. No caso de Léo, há ainda um prazo determinante: ele completa dois anos em 22 de agosto.

Diante da urgência do caso, familiares, amigos e voluntários iniciaram uma mobilização para arrecadar recursos e ampliar a divulgação da campanha. As doações podem ser realizadas via Pix, utilizando o CPF de Léo Wolschick Soares: 048.286.900-34.

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