“O trabalho em equipe permite melhores resultados”

"DIÁLOGOS HBB"

“O trabalho em equipe permite melhores resultados”

A Coloproctologia é o assunto da 8ª entrevista do quadro "Diálogos HBB" com os especialistas, Cibele Corbellini, Gustavo Born e Luís Fernando Scaglioni

“O trabalho em equipe permite melhores resultados”
Dra. Cibele Corbellini, Dr. Luís Fernando Scaglioni e Dr. Gustavo Born, médicos coloproctologistas do Hospital Bruno Born. (Foto: Marcos Ruschel)
Lajeado

No quadro “Diálogos HBB” da Rádio A Hora desta semana, uma conversa com três especialistas da área da Coloproctologia do Hospital Bruno Born. São eles, Cibele Corbellini, Gustavo Born e Luís Fernando Scaglioni.

Dra. Cibele Corbellini é lajeadense, estudou o primeiro grau na antiga Fates, hoje chamada de Escola Porto Novo, e o segundo grau no Colégio Madre Bárbara. Entrou na faculdade de Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2014, e especialização em cirurgia geral no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e finalizou com coloproctologia no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. “Acho que sempre quis fazer medicina, essa área me atraiu”, diz.

Ela conta que decidiu que queria a área da cirurgia no segundo semestre na cadeira de anatomia. “Quando terminei a faculdade, senti dificuldade em saber se realmente queria seguir nessa especialidade. Não entrei para residência imediatamente. Atuei inicialmente na clínica geral e, um ano após, acabei passando na residência e segui na área”.

Já o Dr. Gustavo Born é natural de Porto Alegre e, com dois dias de nascido veio morar em lajeado, “me considero lajeadense”, brinca. Estudou no Colégio Alberto Torres (CEAT) e, aos 18 anos foi estudar medicina e fazer especialização. Formação em Medicina na Pontífica Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre, além de mais dois anos de cirurgia geral na PUC. “Como a Proctologia exige cirurgia geral como um pré-requisito, para ser coloproctologista tem que passar pela cirurgia geral durante dois anos e, após isso, mais dois anos de coloproctologia também fiz na PUC”.

Filho de médico pediatra e a mãe professora, diz que a influência para seguir carreira na medicina foi grande vinda por parte do pai. Acompanhava o pai em algumas idas ao hospital e surgiu o interesse pela área da medicina.

Durante o curso e a maior dificuldade encontrada foi na escolha da área que iria atuar. “Acompanhei meu pai na pediatria, mas não sentia aquela paixão, ou aquele dom, pois pediatras são médicos especiais na área”. Após estágio obrigatório na coloproctologia na PUC, nunca pensou em  trabalhar nessa área, gostou do estágio e acabou decidindo por seguir a carreira.

Nosso terceiro entrevistado, o Dr. Luís Fernando Scaglioni estudou no CEAT e possui graduação em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas. Residência na área de Cirurgia geral na Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande e residência em coloproctologia no Hospital Barão de Lucena, em Recife. “Uma área que sempre me atraiu desde pequeno e acabei decidindo pela coloproctologia”. A sua maior dificuldade encontrada foi a distância e a cultura, além da convivência longe da família e de suas origens.

Atuação

O coloproctologista atua nas áreas do intestino grosso, ânus e reto. Conforme Born, a especialidade cresceu muito nos últimos anos devido ao aumento do número de casos de tumores de intestino. A especialidade trabalha em três âmbitos, cirurgia, atendimento em consultório e exames, no caso a colonoscopia. “Permite o profissional dividir suas atuações tanto na cirurgia, quanto exames ou atendimentos em consultórios”.

Exames

O exame é feito através da colonoscopia. Além de ser o mais indicado é um dos poucos exames que se consegue prevenir o câncer de intestino. Faz o exame, identifica um pólipo, que é uma lesão pré-maligna, e faz a retirada desse pólipo também por colonoscopia. “Se esse pólipo encontrado durante o exame não fosse identificado, caso não tivesse feito a colonoscopia, muito provavelmente iria evoluir para um câncer de intestino precisando de cirurgia. Além de fazer um rastreamento do câncer, o exame previne o câncer de intestino”, ressalta Cibele.

Riscos do exame

Conforme os especialistas, o principal risco do exame de colonoscopia é a perfuração. “É mais preocupante quando se faz a retirada de um pólipo, dependendo do seu tamanho. Faz a endoscopia num dia e a retirada em outro dia ou então, a presença de múltiplos pólipos o que dificulta a retirada e aumenta o risco de perfuração”, alerta Scaglioni .

“Caso ocorra a perfuração, ela é identificada de forma precoce e, assim, é feita a intervenção imediatamente”, reforça Cibele. Ela complementa, “o risco do óbito é muito pequeno”.

Preconceito

Sobre o fato de se tratar de partes mais íntimas do corpo humano, segundo Born, o preconceito diminuiu muito devido a divulgação da importância da prevenção. “O processo é invasivo, exame é realizado através de anestesia gerando mais segurança e tranquilidade ao paciente”.

Perfil do paciente

“Depende muito da patologia, se tiver uma fissura, dor ou desconforto o paciente busca atendimento médico imediato. Devido aos casos recentemente divulgados, a procura aumentou um pouco”.

Alertas

A sociedade americana baixou para 45 anos para a população geral o alerta para quaisquer sinais. “Os fatores que alertam, caso o pai tenha tido um problema aos 48, o filho precisa fazer exames 10 anos antes. Isso para familiar de primeiro grau”, destaca Scaglioni

Cibele ressalta que a prevalência, no caso do câncer retal é maior em homens do que em mulheres. “Atenção para sangramento nas fezes, alterações de hábito intestinal, dores abdominais, perca de peso. É preciso ficar atento aos sinais do corpo”.

Sobre o Bruno Born

Conforme Gustavo Born, a evolução é muito grande do hospital nos últimos anos. “A estruturação nos permite fazer cirurgias de intestino através de vídeo, algo que não existe em outros hospitais, isso é um grande avanço tecnológico, além da equipe de profissionais qualificados e preparados para receber qualquer tipo de paciente”.

Cibele destaca para os softwares de inteligência artificial onde ajudam a identificar um pólipo, “alteram a cor da imagem de um pólipo maligno ou benigno e a tecnologia só nos ajudou na evolução”.

Gustavo Born, Cibele Corbellini e Luís Fernando Scaglioni trabalham em parceria e, segundo eles, “o trabalho em equipe permite melhores resultados”. “A especialidade é íntima e tentamos deixar o paciente em um ambiente satisfeito, tranquilo. É gratificante ver o paciente bem e poder voltar para casa”.

Acompanhe a entrevista na íntegra

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