Ao longo de 2026 tivemos duas alterações significativas no cenário econômico que havia sido projetado. A inflação medida pelo IPCA segue forte, ficando acima de 5% na projeção para dezembro de 2026, enquanto a taxa de juros medida pela Selic, que antes indicava queda, agora aponta para um percentual na casa de 13,25%.
Abaixo, os indicadores atualizados com os índices previstos e revisados para o atual exercício de 2026, divulgados no Relatório Focus do Banco Central do Brasil (BCB):
Nessas análises comparativas horizontais, pode-se verificar o aumento na previsão da inflação medida pelo IPCA ao longo de 2026, bem como o aumento da taxa de juros indicada pela Selic – lembrando que esses dados levam em conta o momento em que as projeções foram realizadas.
Seguem no radar os eventos geopolíticos e econômicos, como inflação, taxas de emprego, déficit fiscal e juros praticados pelos Bancos Centrais do Brasil, Europa e Estados Unidos, além das novas tarifas de importação adotadas pelos EUA, bem como as guerras entre Ucrânia e Rússia e entre Israel e Hamas, na Faixa de Gaza. A real situação da economia da China também merece atenção permanente.
No Mercosul, pela proximidade, é importante acompanhar as movimentações norte-americanas na Venezuela, em Cuba e agora também no Brasil. Com a declaração dos EUA de que o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) são organizações terroristas, poderemos ter desdobramentos no mercado financeiro e, talvez, reflexos sobre a nossa soberania.
No Governo Federal e no Congresso Nacional, os debates sobre as reformas fiscal e tributária acabam ficando em segundo plano diante das eleições para presidente da República, senador, governador, deputado federal e deputado estadual. Aqui no Sul, precisamos permanecer atentos às questões climáticas, prevendo constantemente programas de contingência, tanto nas empresas quanto na sociedade civil.
O grande ponto de atenção para 2026 passa agora a ser o comportamento da inflação e as decisões envolvendo a taxa Selic, projetada para encerrar o ano em 13,25%. O questionamento é se as atuais projeções de aumento da inflação irão repercutir em novas alterações da Selic ao longo de 2026. As projeções iniciais de queda da Selic neste ano foram revertidas devido aos efeitos da guerra entre EUA e Irã sobre o preço do barril do petróleo, o que gerou inflação em diversos países.
Essas previsões podem ser utilizadas como referência, mas, como sempre reforço, não se pode apenas “esperar” por 2026. Não há como esperar algo que não controlamos. O mais importante é seguir uma estratégia e monitorar constantemente as variáveis, adaptando e flexibilizando aquilo que é possível controlar para capturar mais valor e atender às partes interessadas.
O principal benefício de tentar antecipar o futuro é estar sempre preparado para mais de um cenário – seja ele positivo ou negativo.
