Defesa pessoal: mais confiança e autocontrole

Comportamento

Defesa pessoal: mais confiança e autocontrole

Praticantes de artes marciais falam sobre as técnicas de autodefesa e a responsabilidade utilizá-las no dia a dia

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Atualizado segunda-feira,
12 de Abril de 2021 às 09:38

Defesa pessoal: mais confiança e autocontrole
Fotos: Jéssica R. Mallmann
Tudo na Hora 2 - Lateral vertical - Final vertical

Manter a calma em situações de perigo e saber agir no momento certo é uma tarefa difícil. Mas, com o uso de algumas técnicas de defesa pessoal é possível fortalecer a confiança e ter o controle para sair de episódios vulneráveis.

Não importa a idade ou gênero, todos podem aprender a se defender e uma alternativa é iniciar a prática de artes marciais que, além de auxiliar no preparo físico, melhora os reflexos e a coordenação.

Praticante de muay thai desde 2018, Vitoria Caliari Alberton, 14, iniciou na modalidade em busca de uma atividade que trouxesse benefícios à saúde e a ensinasse a sair de acontecimentos constrangedores.

Desde que iniciou o treinamento, a jovem revela que se sente mais segura e preparada para encarar adversidades. “Nunca precisei usar as técnicas, mas hoje me sinto mais confiante, caso um dia seja necessário me defender. O muay thai faz com que tenhamos uma visão mais ampla e real da defesa pessoal.”

Instrutor e professor de Vitoria, Jefferson Santos, 28, explica que toda arte marcial visa ensinar movimentos de ataque e defesa. “Cada modalidade tem sua essência e filosofia, mas sempre com o intuito de instruir o aluno a autodefesa”.

Tendo em vista a realidade a qual vivemos, com aumento dos índices de violência, o professor acredita que aprender as noções básicas de defesa é fundamental, tanto para homens quanto para mulheres. Elas vão muito além dos benefícios à saúde, pois ensinam o indivíduo a reagir de forma correta e segura em situações inesperadas.

Para Vitoria, o esporte não traz apenas os conhecimentos de defesa, ele “é o equilíbrio e refúgio para o corpo e a mente”.

 

Disciplina em primeiro lugar

Popularmente, existe uma crença de que ter conhecimento sobre os golpes ou o uso de determinados instrumentos representa um risco à sociedade, pois os lutadores podem utilizar as técnicas a todo momento. No entanto, Santos e Vitoria contrariam essa afirmação e garantem que a disciplina e o respeito dos alunos são exigidos sempre.

O instrutor ressalta que a boa conduta das pessoas também está relacionada ao local onde a prática é ensinada. Assim como há o crescimento da quantidade de academias de luta, existe o aumento no número de professores desqualificados.

“Infelizmente, eles passam outra visão do que é a arte marcial e a defesa pessoal. Pesquisar referências sobre o espaço e os profissionais faz total diferença no aprendizado e na visão que as pessoas terão sobre o esporte”, evidencia.

 

“Vejo como uma necessidade”

A doceira Roseliane Fruet, 50, conta que é apaixonada pelas artes marciais. Ela procurou a prática em 2016, inicialmente como uma atividade de lazer. No entanto, descobriu outros benefícios, que incluem aumento do reflexo, melhor condicionamento físico e equilíbrio emocional.

Roseliane afirma que o muay thai, por exemplo, mudou a maneira como ela percebe o mundo e os perigos ao seu redor. “Vejo como uma necessidade saber algo de defesa. A técnica ajuda na compreensão do oponente, em diversas situações e melhora a autoconfiança”.

Assim como Vitoria, a cozinheira não precisou utilizar os golpes de defesa no dia a dia. Mas, caso seja necessário, sente-se mais preparada para encarar o perigo. “Espero nunca precisar usá-los”.

 

Dicas de defesa

O medo da violência aumentou o interesse de muitas pessoas pela defesa pessoal, principalmente por parte das mulheres.
Um levantamento realizado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos apontou que o país registrou mais de 105 mil denúncias de violência contra o sexo feminino, em 2020, pelo disque 180. Fato que reflete diretamente na procura por academias especializadas de artes marciais.

Seja por questões sociais, culturais ou estruturais, muitas pessoas não têm acesso às escolas de lutas. Por isso, alguns truques básicos de defesa são sugeridos por especialistas, para casos de perigo iminente, em que não há outras alternativas, como correr e pedir socorro.

Primeiramente, quando uma pessoa é atacada, deve-se focar nas regiões mais doloridas do corpo para se livrar do agressor. São elas: os olhos, nariz, pescoço, virilha, joelhos, canela e planta do pé. A dor fará com que o atacante relaxe e possibilite a fuga.

Ao ser agarrado pelo pulso, por exemplo, a sugestão é girar a mão na direção do polegar do atacante, em movimento rápido e forte. Se necessário, a dica é combinar algum chute em uma das zonas de dor.

Em muitos casos, a força física utilizada para a defesa não influencia diretamente na ação. O mais importante é realizar golpes rápidos e certeiros, para que cause desconforto no “adversário” e o indivíduo possa se afastar do local.