A quimioterapia no câncer

opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

A quimioterapia no câncer

Por

Vale do Taquari
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De início empírico, o uso de drogas no tratamento do câncer tornou-se ferramenta extremamente valiosa e abriu perspectivas reais para o controle da doença, ainda que de forma lenta.

Compreende-se aqui, que quando falamos em câncer, falamos de mais de 200 doenças diferentes e que acometem órgãos diferentes e que se disseminam de formas diferentes.

Assim, temos que um câncer de mama é diferente de um câncer de intestino, se comportam de maneira diferente, se espalham de forma diferente. E, por isso, precisam de tratamentos diferentes.
O conhecimento sobre o ciclo celular (os mecanismos que fazem uma célula se multiplicarem) e a biologia do tumor, ou história natural da doença – isto é, como ela frequentemente surge, como se manifesta, de que forma evolui – permitirei compreender a doença e estabelecer estratégias para o seu combate.

Já para constar, existem tumores que precisam de 65 dias para duplicar seu número de células, enquanto outras, precisam de esperar 12 dias para fazê-lo. Imagine as implicações terapêuticas disso? Existem tumores que crescem localmente (como tumores primários do sistema nervoso central) e outras que precocemente se disseminam e de forma agressiva (como alguns tipos de câncer de pulmão, por exemplo). Esse entendimento tem que ser levado em consideração no momento de estabelecer estratégias para combater o câncer.
Usualmente, a combinação de drogas é a estratégia mais adequada.

Entre as inúmeras disponíveis, são escolhidas aquelas que têm a maior chance de destruir as células malignas e são combinadas e partir de conhecimento de como fazer isso na célula maligna, isto é, como cada droga atua no ciclo celular, para que a combinação de drogas que atuem em momentos diferentes deste ciclo, impedindo a reprodução das células e levando-as à morte. Assim, é comum o uso de duas, três ou mais drogas, administradas juntas ou não, para atingir o maior efeito.

O intervalo entre as sessões de quimioterapia, encontrem sua explicação nas mesmas bases: usar do conhecimento do ciclo celular e da biologia do tumor, a associação de drogas pretende causar a maior destruição de células malignas, no espaço de tempo. Há um fator limitante. As drogas usadas atualmente não são desprovidas de toxicidade. E esta termina por limitar o uso delas.

Então, no momento em que o paciente recebe a dose do seu potoco (protocolo é à combinação de drogas) (drogas são os remédios), o alvo são as células malignas, mas, infelizmente, células saudáveis serão atingidas e destruídas também. Por isso, vemos que muitas vezes temos queda de cabelo e/ou diminuição no número de glóbulos brancos (queda na imunidade) durante o tratamento.
Ficar careca é ruim, traz transtornos e angustias, mas não impede a sequência do tratamento. Já a queda nas defesas é ponto inicial e pode expor o paciente a desnecessário risco de vida.
Por isso o intervalo entre as sessões de quimioterapia são importantes, pois, elas permitem a recuperação das células sadias que possam ter sido atingidas pelos remédios.