opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor e vice-reitor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

Passaram as eleições. O que acontece agora?

Por

Lajeado

Neste final de semana temos o dever de exercer nosso direito, por mais paradoxal que possa parecer. Temos de escolher entre tantos, os poucos que irão “nos representar”. Mas, e depois do voto, o que acontece? Minhas considerações estão baseadas na indução, no senso comum, o que por si só já é motivo para refutação. Em boa medida somos induzidos a acreditar que o ocorrido no passado tende a se repetir no futuro, mas isso não deve ser tomado como verdadeiro. Nem sempre os exemplos se repetem, mas vou correr o risco, mesmo que isso contrarie os ensinamentos de Hume e Popper, entre outros.

Que fique claro que este é um exercício e não a expressão da realidade (ou talvez seja), não estou afirmando (estou especulando) que isso se dará com todos, nem mesmo com “A” ou “B”, em Lajeado, no Vale do Taquari ou em outra parte qualquer do vasto território nacional. É somente uma probabilidade (maior ou menor, o leitor decide). Passadas as eleições uma série de vereadores eleitos (ou até mesmo reeleito) irão descobrir que boa parte do que apresentaram não está sob sua ingerência e, portanto, não é passível de implementação.
Temos recebido folhetos onde os compromissos expressos são de atribuição do Executivo, mas os candidatos parecem ignorar tal situação. Logo saberão.

Outros, tendo solicitado nosso voto para representar-nos no legislativo, receberão convites para ocupar cargos no Executivo, abrindo espaço para suplentes que não foram escolhidos, diretamente por nós, e descumprindo para o que haviam se comprometido (claro que se houver alguma votação de interesse do Executivo poderão ser licenciados, retornar à Câmara, votar e retornar ao Executivo novamente) aceitarão.

Alguns prefeitos eleitos pela primeira vez irão assumir seus cargos e posteriormente afirmar que a situação é pior do que imaginavam (mesmo que tenham integrado o governo anterior em algum momento). Sendo reeleitos poderão vir a convidar adversários no pleito a integrar o quadro de secretários, cargos em comissão ou outras funções no Executivo. Haverá quem troque de partido (indo da direita à esquerda e retornando) talvez mais de uma vez em um mesmo mandato. Mas tudo isso é indução, é uma teoria formulada a partir da observação de alguns poucos (talvez nem tão poucos) eventos ao longo da história e que podem não se repetir.

Mesmo que o sol tenha nascido todos os dias, nos últimos sei lá quantos anos, que obrigatoriamente surgirá amanhã. O importante é realizar nossas opções conscientes de que tudo isso pode vir a acontecer. Cumpramos para com o dever de exercer nosso direito. Boa eleição para todos.