opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Qual a sua culpa nisso tudo?

Por

Pantanal é um dos maiores biomas do Brasil e é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta (IBGE). O Pantanal está em chamas desde julho (isso mesmo, desde julho) e nesta semana chegou a mais de 15 mil focos de incêndios registrados no ano, maior número desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a computar tal dado.

Então eu te pergunto: qual a sua culpa nisso? Toda.

Por algum motivo, temos uma facilidade gigante em apontar culpados, mas uma dificuldade proporcional em nos reconhecermos como culpados. Não sabemos enxergar nosso papel nas situações, em especial, em desastres como as queimadas no Pantanal, na crise que se intensificou com a chegada da pandemia, no colapso do meio ambiente, e em tantas outras tragédias.

No meio da indignação, apontar culpados é o primeiro passo e, quase sempre, o culpado é o outro. Por exemplo, neste momento, em que somos devastados com as imagens do nosso precioso Pantanal queimando, de animais, muitos já próximos da extinção, lutando para sobreviver a um processo não natural que destrói o seu lar, de quem é a culpa?

“Do governo” pode ser a primeira resposta. Gostamos de culpar o governo e, realmente, muitas vezes a culpa é dele mesmo. Mas quem faz o governo? Quem coloca o omisso e corrupto no poder? Quem fecha os olhos para a corrupção e omissão? Isso mesmo, nós.

A indignação é um sentimento fundamental na história da humanidade. Mudanças não ocorrem sem ela. Porém, indignação sem autocrítica de nada adianta. Não adianta culpar o governo se continuamos a dar poder a quem não tem preparo ou integridade para o ter. Não adianta culpar alguém quando fechamos os olhos para as situações que serviram de aviso para a catástrofe.

Também não adianta apontar culpados se nós mesmos continuamos a abusar de práticas destrutivas, como um sistema de transporte sobrecarregado e poluente, consumo desenfreado, apoio a marcas sem compromisso socioambiental (compromisso de verdade, não vale se dizer bonzinho e usar de trabalho escravo e greenwashing), e mesmo coisas “pequenas” do dia a dia, como jogar lixo no chão.

Assim como em um relacionamento, seja ele qual for, quando a situação não vai bem, o mais sensato e honesto é que as duas partes façam uma autocrítica para compreender quais as origens do problema e, principalmente, qual a parcela de culpa de cada um. Só assim é possível que ambos compreendam como podem fazer a sua parte para melhorar. Compreender e aceitar-se culpado é o primeiro passo.

Se você chegou até aqui achando que este texto tem a intenção de culpabilizar alguém por todas as crises que o mundo vive, você está certo. A culpa é de todos nós, cada um à sua maneira.

Agora, te convido a olhar para as suas atitudes e tentar compreender qual a sua parte nisso. “Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”