Os celulares e a sala de aula… nada como um dia após o outro

opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

Os celulares e a sala de aula… nada como um dia após o outro

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Na última quarta-feira, recebi uma mensagem da colega professora Viviane Bischoff com uma charge que aponta para a diferença na forma de “encarar” o uso dos telefones celulares em sala de aula. Se até 2019 poderiam ser considerados como um entrave para o desenvolvimento das aulas (pois seriam uma forma de distração para os alunos que deixavam de colocar a atenção nos professores e preferiam estar conectados com suas redes sociais), em 2020 passam a ser um dos canais que viabilizam a conexão dos alunos com os professores e os conteúdos.

As inovações tecnológicas chegam às salas de aula há muito tempo. Se considerarmos desde o surgimento da prensa e a impressão dos primeiros livros, passando pelo uso dos quadros negros/verdes/brancos, retroprojetores, projetores de slides, tv, vídeo cassete, datashow e outras tantas “ferramentas” podemos dizer que todas trouxeram algum desconforto e a necessidade de adaptação por parte dos professores e dos alunos.
Porém, o impacto da internet, associada ao uso dos smartphones, é de um alcance maior, pois tem permitido a ampliação dos espaços e dos tempos de aprendizagem para além das salas tradicionais. Ao longo dos anos tenho presenciado a mudança de comportamento dos alunos que se mostram, em alguma medida, desestimulados com o uso de “técnicas” tradicionais de ensinagem. Neste contexto o uso de tecnologias de aprendizagem que permitam maior dinamicidade, mediadas ou não por tecnologias, é um requisito que tem de ser atendido. A sala de aula precisa ser ressignificada e permitir-se ser um espaço para construção coletiva e não somente de transmissão de conceitos, por vezes desconexos com a realidade dos alunos.

Importante destacar que o uso das tecnologias deve ser visto como um meio e não como um fim em si mesmo, pois o objetivo é que os alunos aprendam, que possam apreender os conceitos e transferi-los, reinterpretando-os, para o seu dia-a-dia sendo capazes de resolver os problemas com que se deparam rotineiramente.

Para tanto os professores terão de ser capazes de promover metodologias que envolvam os alunos na construção de seus saberes, mediando, orientando o processo de aprendizagem, fazendo com que avancem na sua autonomia. Acredito que, diante dos atuais desafios, os celulares podem ser sim, grandes aliados, que são essenciais, mas não suficientes. Professores ainda são os que fazem a diferença. E não esquecendo, Feliz dia dos Pais!