As lições da Páscoa!

opinião

Jonas Ruckert

Jonas Ruckert

Diretor do Colégio Teutônia

Assuntos e temas do cotidiano

As lições da Páscoa!

Por

Vale do Taquari

Vinnet Nayar, escritor indiano e diretor executivo da HCL Technologies, grupo de atuação global, destaca em um livro de sua autoria a dimensão da autorregulação, sobre a qual quero pincelar alguns aspectos. Para além das restrições do momento, a possibilidade da autorregulação está para tudo o que não está restrito. É muito possível que nas últimas décadas, de forma coletiva, não se tenha gerado, pela excepcionalidade do período de força maior, tamanha quantidade de segmentos da sociedade produtiva com capacidade ociosa. Isso significa entender que, de alguma forma, temos, neste momento, tempo para reavaliar circuitos, cenários, contextos.

Tenho recebido muitos vídeos, inúmeras mensagens, e-mails…. Muita coisa compartilhada, pouca coisa autorregulada. São raras as situações em que, no recebimento, aparece juntamente com o conteúdo alguma frase do tipo: estou compartilhando isso com você porque endosso os pontos x, y e z.

O que quero reforçar aqui: somos um país que se autorregula em poucas situações. Não com o déficit fiscal, por consequência não com o crescente endividamento externo e interno, não com a área da saúde pública, não com a falta de investimentos em áreas básicas de desenvolvimento da soberania nacional, termo este tão em desuso que já ficou até engraçado ouvi-lo. E seguimos não nos autorregulando na relação com o tempo.

Perdemos o tempo… Perdemos tempo… “Matamos o tempo sem nos darmos conta de que quem mata o tempo não é assassino, mas suicida. Mata a si mesmo” – essa frase já usei aqui em outra oportunidade.
As lições da Páscoa estão aí. Não há necessidade de ensiná-las, uma vez que as sentimos em nosso cotidiano, no encontro “de cada qual consigo mesmo” nestes dias em que temos tido tempo para fazer perguntas e questionamentos não aos outros, mas a nós mesmos. Não tenho eu nenhuma pretensão de ensinar alguma lição sobre a Páscoa. Mas quero compartilhar o que venho aprendendo nesse tempo de isolamento social. O primeiro aprendizado: concentrar-se menos em gerir/gerenciar/governar e mais em capacitar. Se assim o fizéssemos, muitas tentativas arriscadas desse momento de pandemia seriam mais assertivas. O segundo: o dia é longo! Dá para fazer muita coisa. Terceiro, o mais importante: a história do Cristianismo ganhou centralidade na minha vida. Tive tempo e sensibilidade para encontrar-me com esse filho de Deus, ressurreto, que em Jesus Cristo é verdadeiramente a esperança para um mundo que diante da pandemia tem medo e incertezas. Tenhamos fé. Se Ele é por nós, quem será contra?

Abençoada Páscoa!