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“Temos o objetivo de garantir mais respeito às pessoas com autismo”

Em 2010, Maria Elisabete Buffe começou a trabalhar com pessoas com autismo. De imediato, encantou-se com a função. Hoje, ela é professora da Apae Lajeado. No dia Internacional da Conscientização do Autismo, ela fala sobre sua experiência com este público e dá orientações aos pais para o período de quarentena

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“Temos o objetivo de garantir mais respeito às pessoas com autismo”
Vale do Taquari

• Qual a importância do Dia da Conscientização sobre o autismo?

Temos o objetivo de informar e conscientizar mais a população sobre o conhecimento, a compreensão acerca do autismo, e assim amenizar o preconceito e garantir mais respeito às pessoas com autismo e suas famílias.

• Como começou a trabalhar com autismo?

Comecei a trabalhar na Apae com alunos com Transtorno do Espectro Autista em abril de 2010, como monitora, auxiliando duas professoras com alunos de 07 a 12 anos e de 14 a 30 anos. O inicio já foi encantador e amei entrar nesse mundo azul, aprendendo, estudando é me aperfeiçoando sempre. Em Abril de 2016 tive a oportunidade de ser professora, tive muitos ganhos e diferentes tipos de aprendizagem, pois adquiri experiências em diferentes turmas, com diversos alunos.

• Quais são os principais desafios em lidar com pessoas com autismo?

Eu diria o desafio do dia a dia. Cada dia é um dia e nenhum é igual ao outro. Às vezes, planejamos algo, mas, com a necessidade do momento não conseguimos realizar e em instantes temos que oferecer algo que naquele momento dê certo, que tenha efeito, acalme e traga alegria. Temos dias desafiadores, principalmente na adaptação e volta às aulas.

• O que te encanta no seu trabalho?

A troca de amor e carinho que eles têm com a gente, a atenção que consigo ter e receber com cada um. Nos tornamos referência para eles com o trabalho desenvolvido no decorrer do ano, e percebemos que eles se sentem seguros conosco e no espaço escolar.

• Com a paralisação de boa parte das atividades, em função da pandemia do coronavírus, muitas crianças e adolescentes ficam em casa com a família. No caso de crianças autistas, que têm mais dificuldade de interação, que dicas podemos dar aos pais?

Está sendo um momento muito difícil para nós, que tínhamos nossa rotina diária. Acredito que para nossos alunos esteja sendo mais difícil ainda, pois recém havíamos retornado de um longo período de férias. Poucos dias atrás, concluímos a adaptação da turma e do nada “férias” de novo. As dicas que podemos dar para tentar amenizar esses dias de angustia, é que se mantenha uma determinada rotina com nossos alunos, que se mantenha um bom uso da comunicação e que os pais possam tirar uma hora desse longo dia para tentar interagir e fazer trocas com seus filhos, seja com um jogo, com bola, com massa de modelar e troca de carinho. Família tem um importante papel na organização e rotina de cada criança. Esperamos que logo possamos retornar e dar sequência para as suas aprendizagens, partindo de onde paramos.