Vale do Taquari

3ª Teutofrangofest consolida produção avícola da região

Evento inicia amanhã e traduz em festa o potencial econômico da avicultura no Vale do Taquari. Mais de três mil pessoas são esperadas

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3ª Teutofrangofest consolida  produção avícola da região

O avicultor Adelar Riva trabalha no setor avícola desde 1978. Neste período viu a produção evoluir em tecnologia, se automatizar e ganhar produtividade.
“Para limpar o aviário depois que sai o lote, hoje uma pessoa consegue fazer sozinha o trabalho que antes precisava de cinco. O que acontece é que nós investimos muito em automação”, afirma.
Ele produz em Teutônia e Westfália. A capacidade da produção é de 100 mil aves. Um novo aviário, que deve ficar pronto em dois meses, vai elevar este número para 140 mil.
Hoje, quem cuida da produção de aves é o filho Genaro, de 29 anos, que aprendeu as tarefas no convívio com a família na propriedade.
“Uma vez que você começa desde pequeno a ajudar os pais no campo, você acaba criando um vínculo e já trabalha com a ideia de sucedê-los. Não só como um trabalho, mas dar continuidade a uma história”, diz Genaro.

Reconhecimento do potencial

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Com o objetivo de consolidar a cadeia avícola do Vale, foi criada a Teutofrangofest. A terceira edição do evento inicia amanhã e vai até domingo, 18. A programação reúne gastronomia especializada e atrações artísticas.
Para Dirceu Bayer, presidente da cooperativa Languiru e um dos idealizadores da Teutofrangofest, o evento é o reconhecimento do potencial da avicultura da região.
“Esta atividade gera muitas riquezas, impostos e valor adicionado para os municípios. A região precisava ter algum evento que fosse mostrar este potencial para o estado”.
De acordo com Bayer, somente o frigorífico da cooperativa gera cerca de mil empregos diretos. Há ainda 350 famílias ligadas à Languiru que dependem desta atividade. A estimativa é de que o evento reúna três mil pessoas em três dias de atividades.
28% da produção estadual
A região representa 28% da produção avícola do Rio Grande do Sul, de acordo com o Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat). Três anos atrás, o Vale detinha 25% da avicultura do RS. A presidente do Conselho, Cíntia Agostini, destaca que se trata de uma cadeia significativa tanto para abastecer o mercado externo quanto para a exportação.
“Em percentuais é a cadeia mais representativa da região. Não só da perspectiva do produtor, mas também na quantidade de indústrias e no volume produzido. É a principal em número de itens derivados que exportamos.”

Teutônia investe nos produtores

Em Teutônia, a atividade cresce e já disputa espaço com a suinocultura. O avanço tecnológico da produção traz maior produtividade e reduz a demanda de mão de obra. O fenômeno representa uma preocupação do ponto de vista social, mas traz maior eficiência.
Outro efeito da modernização é a mudança no perfil dos avicultores. O secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Márcio Mugge, destaca o ingresso de jovens no setor.
“O profissional que atua hoje na produção de frango tem que ter conhecimento técnico e de gestão. É uma cadeia que já excluiu muita gente, mas está estabelecida”.
Para Mugge, a construção de um aviário é um dos investimentos que traz maior retorno ao município. Este ano, o governo aportou quase R$ 60 mil em quatro propriedades. O município investe R$ 16 por metro quadrado construído. O secretário estima que o investimento retorne em impostos em cerca de dois anos e meio.

Estrela: 40 milhões de aves por ano

De acordo com o secretário de Agricultura de Estrela, a produção avícola representa 40% da arrecadação do setor primário no município. A produção cresce voltada principalmente à exportação. São frangos menores, com 28 dias e peso entre 1,2 kg e 1,5 kg.
O município tem cerca de oito aviários em construção no momento com capacidade de mais de 50 mil frangos cada. A produção cresce voltada principalmente ao mercado externo.
“Exportamos muito para a China e também Europa e países Árabes. O mundo inteiro está precisando de alimentos e nossa avicultura está na crista da onda dos padrões internacionais”, afirma. De acordo com Braun, Estrela produz cerca de 40 milhões de aves por ano.
 

MATHEUS CHAPARINI – matheus@jornalahora.inf.br