Setembro é o mês de conscientização sobre a Doença de Alzheimer e quero chamar sua atenção para um cuidado que ainda é pouco lembrado quando falamos em envelhecimento e saúde do cérebro: a audição.
A perda auditiva costuma chegar de forma silenciosa. No início, é comum a própria pessoa e até seus familiares confundirem a dificuldade para ouvir com falta de atenção. “Quando presta atenção, entende”, dizem. Mas, será mesmo apenas distração?
Um dos primeiros sinais pode aparecer justamente quando há outras pessoas falando ou algum barulho no ambiente. Em casa, no silêncio, a pessoa entende; no restaurante, em uma reunião de família ou em uma conversa em grupo, começa a perder partes da fala. O “o quê?” passa a ser frequente. O volume da televisão ou do celular aumenta. Ao telefone, algumas palavras ficam difíceis de compreender. E surge uma situação que confunde a família: em alguns lugares ela parece ouvir perfeitamente e, em outros, tem muita dificuldade.
Esses são sinais que merecem atenção. A Organização Mundial da Saúde reforça a importância da identificação precoce da perda auditiva e recomenda que, a partir dos 50 anos, a audição seja avaliada regularmente, preferencialmente integrada aos demais cuidados de saúde.
E por que falar sobre isso justamente no mês de conscientização sobre Alzheimer?
Em 2024, a Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidado em demência apontou a perda auditiva entre os fatores de risco modificáveis associados à demência. Isso não significa que ter perda auditiva determine que uma pessoa desenvolverá Alzheimer, nem que usar aparelho auditivo seja garantia de prevenção. Significa que cuidar da audição também precisa fazer parte da conversa sobre envelhecimento saudável.
Mas, existe outro ponto importante: comprar um aparelho auditivo não significa, por si só, que a perda esteja adequadamente tratada. O aparelho precisa ser corretamente selecionado, adaptado e regulado para as necessidades auditivas de cada pessoa. Mais do que aumentar o volume, precisamos garantir acesso aos sons necessários para a compreensão da fala. Essa adaptação deve ser verificada, acompanhada e ajustada ao longo do tempo.
E não basta estar bem adaptado: é preciso usar. Um excelente aparelho dentro da gaveta não fornece estímulo auditivo algum. O uso consistente durante a rotina permite que a pessoa tenha acesso às conversas, aos sons e às situações de comunicação que fazem parte da sua vida.
Por isso, neste mês de conscientização sobre Alzheimer, eu deixo uma pergunta que talvez ainda não faça parte do seu check-up de saúde: como está a sua audição?
Vivian Estrela Brasil
Fonoaudióloga Especialista em Reabilitação Auditiva
CREFONO 76823
@clinicaestrelabrasil