Trigo avança com 33% das lavouras em floração

Safra de inverno

Trigo avança com 33% das lavouras em floração

Maior luminosidade favorece o desenvolvimento e permite a retomada do manejo nas plantações gaúchas

Trigo avança com 33% das lavouras em floração
A área projetada para o trigo na safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare (foto: divulgação)
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Agro 360

As lavouras de trigo apresentam evolução satisfatória no Rio Grande do Sul, favorecidas pela redução das chuvas e pelo aumento da disponibilidade de radiação solar. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira, 50% das áreas estão entre o final do desenvolvimento vegetativo, elongação do colmo e emborrachamento. Outros 33% já chegaram à floração, enquanto 16% estão em formação e enchimento de grãos e 1% em maturação.

A área projetada para o trigo na safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare. A melhora das condições meteorológicas permitiu a retomada da adubação nitrogenada e dos tratamentos fitossanitários, especialmente nas áreas que anteriormente apresentavam dificuldade de acesso devido à elevada umidade do solo. Por outro lado, o período de nebulosidade e chuvas registrado nas semanas anteriores favoreceu o surgimento de doenças fúngicas, como manchas foliares, ferrugens e oídio. Também houve aumento da incidência de giberela nas lavouras em fase reprodutiva.

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Na região de Santa Rosa, 45% das lavouras estão em floração, 25% em enchimento de grãos, 27% em desenvolvimento vegetativo e 3% em maturação. O tempo seco e a maior luminosidade favoreceram a evolução das plantas. As geadas registradas no início do período foram, em geral, de baixa intensidade e não devem provocar impactos relevantes, embora permaneçam ocorrências de oídio, ferrugens e manchas foliares.

Canola em fase reprodutiva

A canola está predominantemente em fase reprodutiva, entre floração, formação de síliquas e enchimento de grãos. O desenvolvimento é mais adiantado no Noroeste, onde algumas lavouras já foram colhidas. O aumento da luminosidade e das temperaturas favorece a evolução do ciclo e o enchimento das síliquas.

Apesar disso, períodos prolongados de nebulosidade, umidade elevada e chuvas frequentes limitaram o desenvolvimento em algumas regiões e podem reduzir o potencial produtivo. Também foram registrados danos provocados por granizo. A área estimada é de 353.397 hectares, com produtividade média projetada em 1.619 kg/ha.

Milho em plantio acelerado

Entre as culturas de verão, o milho teve forte avanço na implantação da safra, favorecido pela redução da umidade superficial dos solos, maior radiação solar e elevação das temperaturas. O plantio está mais acelerado nas áreas de menor altitude e onde a janela indicada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) já está aberta.

As lavouras apresentam germinação e emergência satisfatórias, com estandes uniformes e predominância de áreas nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo. Em locais onde a semeadura ocorreu com solo ainda muito úmido ou houve chuva logo após a operação, foram registrados problemas pontuais de estabelecimento.

A Emater/RS-Ascar estima área de 896.401 hectares, aumento de 7,42% em relação à safra anterior. A produtividade projetada é de 7.711 kg/ha e a produção deve chegar a aproximadamente 6,91 milhões de toneladas, alta de 7,18%.

Demais culturas

A carinata também avança pela fase reprodutiva, principalmente em formação de síliquas e enchimento de grãos. A maior luminosidade favoreceu o desenvolvimento e manteve as lavouras dentro do padrão esperado.

O cenário fitossanitário é considerado satisfatório, embora tenham sido identificados casos pontuais de esclerotinia e bacterioses, estas últimas associadas a lesões provocadas por granizo. Em Tupanciretã, na região de Santa Maria, todas as lavouras estão em enchimento de grãos. Em Santa Rosa, 95% das áreas estão em formação de síliquas e enchimento de grãos e 5% em florescimento.

As lavouras de aveia-branca apresentam estágios variados e avançam para o enchimento de grãos. As primeiras áreas já começaram a ser colhidas. De maneira geral, as condições são satisfatórias, embora existam diferenças no potencial produtivo e na situação fitossanitária.

Em Passo Fundo, 60% das lavouras estão em florescimento e 40% em enchimento de grãos, com boa sanidade. Alguns municípios registraram ocorrência de granizo, e os danos ainda serão avaliados.

A cevada avança do desenvolvimento vegetativo para as fases reprodutivas, como elongação do colmo, espigamento, florescimento e enchimento de grãos. A melhora do tempo permitiu a retomada dos tratamentos fitossanitários.

As condições gerais são satisfatórias, mas as chuvas anteriores mantiveram elevado o risco de doenças fúngicas, especialmente entre o espigamento e a fase reprodutiva. Há ocorrência de doenças foliares em parte das lavouras. A área estimada é de 20.320 hectares, com produtividade média prevista em 3.020 kg/ha.

Hortaliças e frutas

Na região de Caxias do Sul, o alho apresenta bom desenvolvimento vegetativo em São Marcos. As primeiras lavouras devem iniciar a diferenciação e a formação dos bulbos em meados de setembro. As geadas não provocaram danos.

Em Vale Real, na região de Lajeado, brócolis, couve-flor e repolho estão em plena produção, com boa qualidade. O excesso de umidade do solo, porém, provocou perdas pontuais.

Na citricultura, o cenário permanece pressionado pelos baixos preços. Em Erechim, terminou a colheita das variedades Salustiana, Iapar, Umbigo Navelina e Rubi, comercializadas por cerca de R$ 0,40/kg. A colheita da Valência começou no início de agosto. Para a fruta destinada à indústria de suco, o valor está em torno de R$ 380 por tonelada. Há expectativa de alguma recuperação dos preços a partir de setembro, estimulada pela subvenção aprovada e pela elevação das temperaturas.

Na região de Lajeado, em Montenegro, 60% dos pomares de bergamota Montenegrina já foram colhidos, enquanto a colheita da laranja Valência alcança 30%. Em Maratá, a Montenegrina chega a 70% da área colhida. Em São José do Sul, a comercialização do limão-tahiti está fraca, com expectativa de melhora no fim do ano.

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