Como começou tua história com o tradicionalismo?
Jorge – Comecei no início dos anos 1990. Sempre gostei de cavalo e surgiu a oportunidade de participar de um desfile de 20 de Setembro pelo CTG Estrela do Rio Grande. Consegui adquirir um cavalo e comecei a participar. Na época, fui muito bem acolhido pela entidade e acabei ficando. Meus pais não eram ligados ao CTG, mas crescemos no interior, trabalhando na roça, então acredito que dali também veio esse gosto pela lida e pelo cavalo.
Este é teu segundo mandato como patrão. O que te fez assumir novamente?
Jorge – Minha primeira gestão aconteceu justamente durante a pandemia. Foi um período difícil, porque não podíamos promover eventos e muita coisa que gostaríamos de ter feito acabou não acontecendo. Depois de um tempo, o pessoal me procurou e sugeriu que eu assumisse novamente. Aceitei esse desafio e comecei o novo mandato em março. Agora temos dois anos pela frente para desenvolver esse trabalho.
Desta vez, o desafio também passa pela reconstrução. Como está a sede depois das enchentes?
Jorge – Nossa entidade foi muito atingida e perdemos o galpão. Começamos a reconstrução e estamos refazendo tudo aos poucos. Já temos pilares e telhado, priorizamos os banheiros para receber o público e também fechamos um espaço nos fundos para melhorar a cozinha. Ainda temos bastante trabalho, mas é muito bom perceber que a estrutura começa a tomar forma novamente.
E o que o CTG prepara para este mês de setembro?
Jorge – No dia 20 teremos o desfile e depois seguimos para a sede, onde vamos retomar o tradicional boi no rolete. Era um evento que sempre fazíamos e que, por causa da pandemia e de tudo o que aconteceu depois, acabou ficando para trás. O preparo exige 24 horas de fogo e deve envolver cerca de 15 pessoas, divididas em turnos. Para nós, não é apenas fazer um almoço novamente. Representa recuperar uma tradição e a própria identidade do CTG.
A Semana Farroupilha termina, mas o trabalho continua?
Jorge – O serviço não para durante o ano. Assim que encerramos a Semana Farroupilha, já começamos a preparação para o rodeio, previsto para o início do próximo ano. Temos pista de laço e uma estrutura que precisa de manutenção constante. Hoje contamos com cerca de 140 associados em dia e muitos participam de rodeios durante todo o ano. Grande parte do que conseguimos fazer depende da dedicação voluntária dessas pessoas.
O que tu espera deixar ao fim deste segundo mandato?
Jorge – Quero ver a entidade cada vez mais estruturada e com as pessoas participando. Temos muito apoio de outras comunidades e entidades, e dentro do CTG existe um grupo que realmente se doa para fazer as coisas acontecerem. Trabalho voluntário não é fácil, mas é satisfatório perceber que as pessoas reconhecem esse esforço. Depois de tudo o que passamos, poder reconstruir o espaço, retomar nossos eventos e manter as tradições vivas é o que nos motiva a continuar.
