As experiências provocadas pelas enchentes de 2023 e 2024 passaram a fazer parte da rotina de prevenção e do processo pedagógico do Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), de Lajeado. As iniciativas foram apresentadas pelo diretor-geral da instituição, Rodrigo Maurício Ulrich, durante o painel Educação Ambiental: Resiliência, Justiça Climática e Enfrentamento, nesta sexta-feira, 4, na 49ª Expointer, em Esteio.
A apresentação mostrou como a escola incorporou os eventos climáticos ao planejamento, à infraestrutura e às atividades desenvolvidas com os estudantes. Entre as estratégias está o uso da régua de nível instalada na unidade de Lajeado. As marcas das cheias de 2023 e 2024 servem como recurso pedagógico para abordar o comportamento dos rios, as cotas e os impactos das inundações.
“Levamos nossa experiência para esse painel promovido pelo Conselho Estadual Educação e como isso contribui para a temática de educação e sustentabilidade. Fazemos isso a partir da vivência em relação às cheias, mas vamos adiante ressaltando o que podemos aprender e ensinar como escola e de como isso cria uma cultura de resiliência climática”, diz.
O trabalho também envolve o estudo da geografia local. O Ceat utiliza informações sobre cotas, bacias hidrográficas, rios e drenagem urbana para aproximar os conteúdos da realidade dos alunos. O entorno da escola é utilizado como espaço de aprendizagem, com atividades relacionadas à leitura do território e aos sistemas de drenagem.
“Conhecimento científico como ferramenta de segurança, consciência e utilidade pública” é uma das premissas apresentadas pela instituição para ampliar a relação entre escola e comunidade.
Prevenção
A instituição atualizou os protocolos de resposta às inundações e estruturou um Plano de Ação para Enchente (PAE). A estratégia considera o monitoramento de fontes oficiais, como Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Defesa Civil, além de modelos meteorológicos internacionais e do acompanhamento das condições no local.
O plano estabelece quatro níveis operacionais, definidos a partir das cotas do Rio Taquari. Entre as prioridades estão a preservação da vida e da integridade física da comunidade escolar, a proteção do patrimônio e da infraestrutura e a retomada das atividades acadêmicas.
A experiência da unidade de Roca Sales também foi destacada. O município sofreu impactos das cheias de 2023 e 2024, o que levou à revisão dos protocolos. O planejamento passou a prever não apenas a suspensão das aulas, mas também ações para retirada e proteção de materiais e preservação dos espaços.
