A qualidade de vida de uma cidade se mede pela saúde que ela oferece. Há 30 anos, quando o neurocirurgião Marcos Frank chegou à região, encontrou um bloco cirúrgico com paredes de madeira. Hoje, a instituição que ele preside, o Hospital Bruno Born, está entre os 100 melhores hospitais do Brasil.
A instituição cresceu com Lajeado, atraiu profissionais e investiu em tecnologia, UTIs e centros cirúrgicos. Transformou assim, a saúde deixando reflexos diretos na vida dos moradores. Extrapolou os limites regionais, dando cobertura para 96% dos municípios gaúchos.
Dos 20 leitos de 1930 aos 225 atuais, a evolução abrange 508 médicos que se dividem entre 28 especialidades. Há tratamento para a criança, o idoso, mães, cardíacos e infartados. “Nós inauguramos uma ala exclusivamente pediátrica e vamos abrir a UTI Cardiológica, que vem para suprir outra demanda”, salienta o presidente Marcos Frank.
A revolução tecnológica aparece em diferentes áreas, dos exames de alta precisão à radioterapia, da hemodinâmica aos novos centros especializados, como o de Reprodução Humana. A área está entre os orgulhos de Frank. “É um dos raros serviços do interior”, destaca.
As UTIs começaram a ser instaladas na década de 1980, hoje, já são quatro: adulto, neonatal, pediátrica e cardiológica, a mais nova.
Hospital cada vez mais estadual
Na última década, o Hospital Bruno Born investiu na alta complexidade e incorporou novas especialidades. “Passamos por uma transformação consistente, deixando de ser apenas um hospital de referência regional para uma das instituições de saúde mais qualificadas do Rio Grande do Sul”, salienta o diretor-executivo, Cristiano Dickel.
A instituição mirou na tecnologia e na capacitação dos profissionais e conseguiu chegar a um patamar de excelência, com a acreditação ONA Nível 3 e Certificação Ouro Planetree. Dois reconhecimentos que qualquer instituição de saúde almeja ter.
Quando se fala no Hospital Bruno Born, fala-se também das famílias que dependem dele todos os dias. Cada novo equipamento representa mais segurança para quem precisa de atendimento. Como 80% dos serviços são prestados pelo SUS, esse avanço chega diretamente à população, sem que o paciente precise pagar pela assistência médica.
Frank menciona um propósito ousado para o HBB: “Hoje, somos uma referência que ultrapassa o Vale do Taquari. Nossa meta é nos tornarmos o melhor hospital do interior do Rio Grande do Sul”.

Atualmente, Hospital Bruno Born
atende pacientes de
todo o Estado
De Lajeado a Uruguaiana
Hoje, o hospital atende pacientes de todo o Estado. Nas áreas de alta complexidade, como cardiologia, neurologia e oncologia, atende todos os municípios do Vale do Taquari. Na hematologia, recebe pacientes do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo. Na captação de órgãos, a atuação se estende de Lajeado até Uruguaiana. São mais de 80 mil consultas por ano.
Um pouco da história
Na década de 20, Lajeado ainda era uma pequena comunidade, emancipada há pouco mais de 30 anos de Estrela, o maior município da época. A rivalidade entre as duas cidades já começava a despontar e foi um dos incentivos para a construção de um hospital em Lajeado.
Naquele tempo, Estrela havia se adiantado com uma casa de saúde. Pacientes de Lajeado e suas famílias precisavam se deslocar para Estrela em busca de cuidados médicos, enfrentando gastos adicionais com hospedagem, medicamentos e alimentação. Essa situação fez com que os lajeadenses decidissem construir seu próprio hospital para atender às necessidades locais.

Estrutura do antigo Hospital São Roque
Roberto Fleischhut, um médico renomado na região, tornou-se uma figura central nessa história. Sua habilidade em atrair pessoas para Lajeado fez com que líderes religiosos de Bom Princípio tentassem recrutá-lo para o hospital construído na cidade. Isso iniciou um movimento na comunidade de Lajeado para garantir que o médico permanecesse.
Mas havia um problema neste acordo: as distinções entre católicos e protestantes. Havia uma grande dificuldade de reunir os dois grupos. Essa divisão tornava difícil reunir os dois grupos em um acordo comum. O impasse foi superado quando a comunidade chegou a uma solução criativa: os católicos se comprometeriam em financiar a construção do hospital e, em troca, poderiam dar um nome para a instituição.
Assim, em 1931, foi criada a Sociedade de Beneficência e Caridade de Lajeado. A estrutura do hospital foi erguida com rapidez, assim, em 1933, o Hospital São Roque foi inaugurado, com cerca de 20 leitos. Essa conquista foi considerada um avanço inédito para a cidade. O hospital se destacava como um símbolo de união entre os dois grupos religiosos, permitindo que os protestantes também fossem atendidos na instituição.
O político influente Bruno Born assumiu a presidência do hospital ainda em 1932, cargo que manteve até a morte, nos anos 1970. Born, vizinho e amigo de Roberto Fleischhut, teve uma presidência pioneira e duradoura, sendo um nome importante para a história da instituição.
Somente em 1974, décadas após sua fundação, o hospital passou por uma mudança significativa. Como forma de homenagear o legado de Bruno Born, a comunidade decidiu rebatizar o hospital, que desde então passou a ser conhecido como Hospital Bruno Born.
As mudanças da última década
- Implantação de novas UTIs
- Ampliação do centro cirúrgico
- Modernização da emergência
- Criação dos centros de cardiologia e obstetrícia
- Novos equipamentos para diagnóstico por imagem, radioterapia e hemodinâmica
- Certificação como Hospital de Ensino
- Programas de residência médica e multiprofissional
