Miopia, hipermetropia e astigmatismo fazem parte da rotina de inúmeras pessoas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, divulgados pelo Ministério da Saúde, cerca de 285 milhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência visual no mundo. No Brasil, mais de 35 milhões apresentam algum grau de dificuldade.
Para boa parte delas, óculos e lentes de contato ainda são a principal forma de correção. Mas os avanços da oftalmologia ampliaram as possibilidades de tratamento. A cirurgia refrativa da córnea consolidou-se como uma alternativa para quem deseja reduzir a dependência desses recursos, com técnicas que oferecem elevados índices de segurança, precisão e eficácia.
De acordo com o oftalmologista Pedro Lopes (CRM-RS 38482 | RQE 35645), na maioria dos casos o procedimento é realizado com laser na córnea. O objetivo, explica o especialista, é proporcionar melhor qualidade visual sem abrir mão da segurança. “Buscamos sempre respeitar as características individuais de cada paciente e os limites seguros do procedimento”, afirma.
Apesar de ser frequentemente associada à correção da miopia, a cirurgia também pode tratar outros erros refrativos. Segundo Lopes, o procedimento é indicado principalmente para casos de hipermetropia e astigmatismo e, em situações específicas, para presbiopia, conhecida popularmente como “vista cansada”.
Critérios
Ter grau não significa, necessariamente, ser candidato ao procedimento. Antes da indicação, o paciente passa por uma avaliação oftalmológica completa para verificar se a cirurgia pode ser realizada com segurança.
Entre os principais critérios estão idade superior a 18 anos, estabilidade do grau por pelo menos um ano, córnea saudável e ausência de doenças oculares que contraindiquem o procedimento.
A definição da técnica mais adequada leva em consideração fatores como o tipo e o grau do erro refrativo, espessura e formato da córnea, presença de olho seco, tamanho da pupila, idade, profissão, prática esportiva e expectativas do paciente.
Segundo Lopes, o LASIK costuma proporcionar recuperação visual mais rápida e menor desconforto nos primeiros dias. O PRK é uma alternativa para pessoas com córneas mais finas ou determinadas características anatômicas. Já o SMILE pode ser indicado principalmente para alguns casos de miopia e astigmatismo, por preservar melhor a biomecânica da córnea e causar menor impacto sobre sua inervação.
“Não existe uma técnica universalmente melhor. Existe aquela que oferece maior segurança e melhores resultados para cada paciente”, destaca.
Recuperação
O pós-operatório varia conforme a técnica utilizada. Nos procedimentos realizados por LASIK e SMILE, muitos pacientes conseguem retomar atividades leves em um ou dois dias. Já no PRK, a recuperação costuma ser mais lenta, com desconforto nos primeiros dias e melhora gradual da visão ao longo de algumas semanas.
Durante esse período, alguns cuidados são indispensáveis. É necessário utilizar corretamente os colírios prescritos, evitar esfregar os olhos, suspender temporariamente atividades aquáticas, além de evitar maquiagem na região dos olhos nos primeiros dias. O uso de óculos escuros, quando indicado, e o comparecimento às consultas de acompanhamento também fazem parte da recuperação. O retorno ao trabalho varia conforme a técnica empregada e a atividade profissional exercida pelo paciente.
