SUS volta a oferecer reforço contra a pólio aos 4 anos

SAÚDE INFANTIL

SUS volta a oferecer reforço contra a pólio aos 4 anos

Medida busca ampliar a proteção da população infantil em um cenário de cobertura vacinal abaixo da meta de 95%

SUS volta a oferecer reforço contra a pólio aos 4 anos
Pessoas e Bem-Estar

A partir de 3 de agosto, crianças de 4 anos voltarão a receber uma dose de reforço da vacina contra a poliomielite pelo SUS. A decisão do Ministério da Saúde restabelece o esquema de cinco doses previsto no calendário vacinal. Com a mudança, todas as aplicações serão feitas com a vacina inativada, administrada por injeção, substituindo definitivamente a vacina oral, conhecida como “gotinha”.

Definição foi tomada após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e oficializada pelo Programa Nacional de Imunizações. Medida busca ampliar a proteção da população infantil em um cenário de cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, percentual considerado necessário para impedir a reintrodução do poliovírus. Até o ano passado, o segundo reforço era feito com a vacina oral de vírus atenuado. Embora fosse considerada segura, essa formulação apresentava um risco extremamente raro de mutação do vírus vacinal, capaz de provocar a doença. A adoção exclusiva da vacina inativada elimina essa possibilidade e acompanha uma tendência já adotada por diversos países.

Com a alteração, o calendário passa a prever três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas de dois reforços, aos 15 meses e aos 4 anos. O Ministério da Saúde orienta que pais e responsáveis levem crianças menores de 5 anos às unidades de saúde para verificar se o esquema vacinal está completo. Quem recebeu as três doses iniciais e apenas um reforço deverá receber a nova aplicação aos 4 anos, respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre as doses. Já as crianças que concluíram o calendário anterior, com dois reforços, são consideradas adequadamente imunizadas.

Segundo o pediatra Eduardo Lopes (CRM-RS 47871 | RQE 41893), a inclusão da nova dose fortalece a imunidade justamente em uma fase da infância em que a proteção precisa permanecer elevada. “Quando o esquema vacinal não é concluído, aumenta a vulnerabilidade da criança e diminui a proteção da população como um todo. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de circulação do vírus.”

“Quando o esquema vacinal não é concluído, aumenta a vulnerabilidade da criança e diminui a proteção da população como um todo”, afirma o pediatra Eduardo Lopes

Atenção constante

Antes das campanhas de vacinação, a poliomielite era uma das doenças infecciosas mais temidas da infância. Entre 1968 e 1989, o Brasil registrou mais de 26 mil casos da infecção.
Mesmo sem registros há quase quatro décadas, o Ministério da Saúde segue atento porque o poliovírus ainda circula em mais de 20 países. A transmissão acontece principalmente pela via fecal-oral, quando água, alimentos, mãos ou objetos contaminados entram em contato com a boca.
Ambientes com saneamento precário favorecem a disseminação. “Em uma população com baixa cobertura vacinal, a importação de casos pode ser suficiente para que a doença volte a circular”, destaca o especialista.

O poliovírus invade o organismo principalmente pelo trato digestivo. Na maioria das vezes, provoca poucos sintomas ou sequer é percebido. Em uma parcela dos pacientes, entretanto, consegue atingir o sistema nervoso central, destruindo neurônios responsáveis pelos movimentos musculares. É esse processo que pode provocar a chamada paralisia flácida aguda, principal característica da doença.

“Não existe tratamento capaz de eliminar o vírus. Quando a doença evolui para formas neurológicas, o atendimento é direcionado ao suporte clínico e à reabilitação das sequelas. Por isso, a vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção”, destaca Lopes. Investigação deve ser considerada sempre que uma criança menor de 15 anos apresentar paralisia flácida aguda. A confirmação ocorre por meio da identificação do poliovírus em amostras de fezes, além de exames complementares, como análise do líquor e eletromiografia, quando indicados.
O pediatra ressalta que as sequelas incluem perda permanente da força muscular, deformidades ortopédicas, dificuldade para caminhar e, em situações mais graves, comprometimento da musculatura respiratória. “Em alguns pacientes, a infecção pode ser fatal”, conclui.

 

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