O perfil do comprador de imóveis na região passa por uma fase de mudança. Os imóveis novos estão com menos dormitórios e indicam uma tendência de comportamento deste tipo de consumidor. É o que indica um estudo divulgado pelo Sinduscom VT, que representa as indústrias da construção civil, apresentado nesta semana.
A pesquisa reúne dados de cinco municípios – Lajeado, Estrela, Teutônia, Taquari e Bom Retiro do Sul – e foi desenvolvido pela Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a Fiergs, compilados ao longo do último trimestre do ano passado. Há uma expectativa para avançar a pesquisa à região alta para os próximos períodos.
Em entrevista ao Conexão Regional, da Rádio A Hora 102.9, o vice-presidente do sindicato, André Damiani, menciona que os objetivos da análise são estabelecer um comparativo do Vale do Taquari com outras regiões e verificar os cenários existentes no mercado. Entre as tendências, a mudança nos tamanhos dos imóveis.
De acordo com ele, os formatos compactos, com um dormitório, passaram a ser lançados em maior volume no período. Estes atendem a um anseio de investidores, que vem o formato com espaços coletivos, academia, jardins, espaços de lazer e lavanderia, como uma oportunidade de negócio. “São muitos espaços que a gente tem e o apartamento pode ser um pouco menor”, comenta.
Para moradores, espaços de menor porte aparecem como alternativa às dificuldades de deslocamento entre cidades. Enquanto nos grandes centros, em especial nas capitais, isto é uma realidade, em Lajeado o contexto é outro. “Morar em Lajeado e poder ter uma casa em uma outra cidade próxima, não deixa de ser uma realidade”, diz Damiani.
Por outro lado, novos empreendimentos com mais dormitórios possuem menor procura. “A pesquisa mostra que não temos lançamentos verticais de quatro dormitórios no último semestre. Três dormitórios tiveram menos lançamentos. Esses são produtos que em algum momento podem ter demanda”, acrescenta.

Construções verticais próximas a centros comerciais, como o bairro Florestal, atendem a anseios de investidores (Foto: Jhon Willian Tedeschi)
Região mais competitiva
Damiani assegura que os preços dos imóveis “estão muito bons em relação à qualidade do produto”. O valor regional médio por m² é de R$ 8,1 mil, enquanto em Porto Alegre, exemplo utilizado por ele, o m² chega aos R$ 15 mil. O vice-presidente do Sinduscom VT ainda acrescenta que a qualidade mencionada faz as construtoras expandirem negócios para outras cidades, como Santa Cruz do Sul, Gramado e Balneário Camboriú.
Estoque de imóveis
A pesquisa indica que a disponibilidade de imóveis para venda diminuiu de um trimestre para o outro. A perspectiva de duração do estoque em Lajeado está em 10 meses, o que sinaliza para um atendimento da demanda existente. “Temos um nível de estoque que se mantém mesmo com todos os lançamentos que a gente faz, porque existe uma mudança de cenário em relação ao uso do imóvel”, pontua o representante do segmento.
Pressa pela casa nova
O perfil dos compradores está em um momento de mudança, conforme Damiani. Ele avalia que cada vez mais cedo as pessoas querem sair do aluguel e da casa dos pais. “A geração Z está mais rápida que a anterior, quer sair de casa antes. Já começa um movimento novo. O jovem de 18 anos hoje é diferente de sete, oito anos atrás”, conclui.
Entrevista com Cláudio Bergesch, diretor da C2B Imóveis
- Primeiro, queria que fizesse uma análise geral do segmento aqui na região, como está o desempenho, no teu olhar enquanto empresário.
O cenário do mercado imobiliário de Lajeado encontra-se estável nesse ano. Desafios nacionais de perda de poder de compra, instabilidade política e Selic em patamar ainda considerado alto restringem algumas famílias a colocarem em prática o plano de compra de um imóvel, principalmente aqueles que refletem melhoria da residência que já possuem por um outro melhor.
Por outro lado, notamos um aumento do investidor imobiliário, que vem aumentando o apetite por este tipo de investimento. Verifico que os investidores notaram que o investimento em renda fixa não tem conseguido defender de forma real a inflação. Dessa forma, busca o “tijolo” como forma de garantir a inflação real ao seu patrimônio.
- Você percebe uma mudança de perfil nos compradores?
Todos os nichos estão com demanda. Ocorre que, nesse momento, o perfil do primeiro imóvel financiado pelo programa Minha Casa Minha Vida e os imóveis compactos que focam em investidores que querem construir carteira de locação estão em um momento mais aquecido. Imóveis de classe média e média-alta estão em um momento mais devagar, mas com o crescimento que Lajeado vem mostrando, considero que o mercado imobiliário ainda está mais aquecido em comparação a outras cidades, e aqui falo inclusive de mercados em cidades com PIB mais relevantes que Lajeado.
- Nessa mesma linha, no comparativo com 2024 e 2025, como você percebe o mercado este ano, mais especificamente?
Inegável que esse ano de 2026 vem apresentando maiores desafios. Mas eles não estão ligados a demanda. O setor local vem tendo uma enorme dificuldade de mão de obra. Os custos diretos de construção vem sendo reajustados de forma periódica. O cenário geopolítico contribui para piorar a pressão sobre os custos. Existe uma reforma tributária que ninguém entendeu direito o que vai acontecer. Como eu disse, os investidores estão com apetite cada vez maior no mercado imobiliário. Muitos já notaram que somente o “tijolo” vai defender seu patrimônio frente aos desafios que se apresentam.
- Como você vê o período de curto e médio prazo dentro do mercado aqui na região?
Eu que atuo também no segmento econômico, continuo vendo a migração forte para nossa cidade. Entendo que somos a bola da vez do estado. A cidade que se apresenta como motor propulsor. Hoje, metade do PIB da cidade está na mão da Construção Civil. O setor esta cada vez mais forte.
