Impasse na concessão reacende discussão sobre pedágio de Encantado

tarifa em R$ 5,20

Impasse na concessão reacende discussão sobre pedágio de Encantado

Incerteza sobre o modelo de gestão das rodovias alimenta dúvidas sobre reajustes na tarifa. Região busca alternativas para destravar investimentos

Impasse na concessão reacende discussão sobre pedágio de Encantado
Praça de pedágio de Encantado cobra tarifa de R$ 5,20 após decisão judicial de 2019 (Foto: Matheus Giovanella Laste)

A indefinição sobre o futuro da concessão das rodovias do Bloco 2, proposta pelo governo do Estado, voltou a colocar em pauta a situação da praça de pedágio de Palmas, em Encantado. Sem definição sobre um novo modelo de gestão e das obras previstas para a malha viária do Vale do Taquari, lideranças da região alta demonstram preocupação com a permanência da cobrança e com as consequências da disputa judicial que mantém a tarifa em R$ 5,20.

Nos bastidores, circulam especulações de reajustes severos, com valores que poderiam alcançar de R$ 12 a R$ 15. A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) rechaça. “A EGR é uma empresa pública e acompanha as decisões do governo estadual. Não há previsão de aumento de tarifa que vá reajustar o valor da praça de pedágio de Encantado para R$ 15”, diz nota enviada ao A Hora.

Para o prefeito de Encantado, Jonas Calvi (PSD), o fracasso do projeto de concessão representa a perda de investimentos importantes para o município e para o Vale do Taquari. “Nós de Encantado deixamos de garantir intervenções como os viadutos da Santa Clara, do Trevo do Rizzi, no caminho para o Cristo Protetor, e do trevo do Peteba, além da duplicação da ERS-130 entre Encantado e Lajeado e da implantação de terceiras pistas”, relata.

Presidente da Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) e prefeito de Doutor Ricardo, Álvaro Giacobbo (MDB) comenta que a população paga pedágio há cerca de 30 anos sem receber obras compatíveis com os recursos arrecadados. Giacobbo defende uma medida mais radical. “Hoje a alternativa seria fechar esse pedágio de Palmas. Não faz sentido manter a cobrança sem entregar as obras que a região espera”, sustenta.

Enquanto as definições estaduais não avançam, Encantado busca alternativas locais para reduzir a dependência da ERS-130. Calvi destaca a pavimentação da Estrada de Linha Azevedo, investimento de aproximadamente R$ 7 milhões que deverá servir como rota alternativa para moradores e produtores rurais, além de oferecer uma opção de desvio da praça de pedágio e um acesso estratégico durante períodos de enchentes.

Divisão do bloco

Proposta debatida pelo grupo de trabalho do Vale do Taquari durante as discussões sobre a concessão das rodovias voltou a ganhar força após a suspensão do leilão do Bloco 2, salienta o diretor de infraestrutura e logística da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Luciano Moresco.

A sugestão é dividir o lote atualmente planejado pelo governo do Estado, criando um bloco específico para as rodovias da região, abrangendo o trecho de Casca a Venâncio Aires (o original inclui até Erechim), além das ligações entre Estrela e Garibaldi e da Via Láctea, em Teutônia.

“Pelas estimativas que temos, o Estado poderia destinar R$ 1 bilhão (do R$ 1,5 bilhão do Funrigs inicialmente reservado como aporte à futura concessionária) para executar diretamente as obras previstas”, diz Moresco. O montante seria suficiente para viabilizar duplicações, viadutos e acessos aos distritos industriais, antecipando para 2027 o início de obras em trechos críticos, como entre Arroio do Meio e Lajeado.

Moresco também contesta as especulações sobre um possível reajuste expressivo na tarifa da praça de Encantado. “Seria importante saber qual a base dessa informação. Encantado é R$ 5,20 por uma decisão judicial de anos atrás que transitou em julgado. E até onde se sabe, não tem nenhuma outra ação discutindo essa tarifa. Quem divulga essas informações precisa apresentar qual é a base jurídica. Caso contrário, é desinformação”, observa.

O imbróglio jurídico da praça de Palmas

  • 2017 – O Ministério Público ingressa com ação questionando reajuste de 35% na tarifa.
  • Setembro de 2019 – A Justiça reduz o valor do pedágio de R$ 7 para R$ 5,20.
  • Um dia depois – Nova decisão judicial determina a suspensão da cobrança e a abertura das cancelas.
  • Dezembro de 2019 – O Superior Tribunal de Justiça autoriza a retomada da cobrança.
  • 2021 – O Ministério Público propõe nova ação defendendo a extinção definitiva da praça, alegando descumprimento de investimentos pela EGR.
  • 2024-2025 – A cobrança permanece suspensa durante quase um ano em razão das enchentes que atingiram a região e destruíram trechos das ERS-129 e ERS-130.
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